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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 17

Rafael já estava saindo da sala quando a voz de Vittoria cortou o ar como uma lâmina polida.

— O que está acontecendo, Rafael Montenegro?

Ele parou.

Devagar.

Frio.

Como quem decide se vale a pena olhar para a pessoa que ousou questioná-lo.

Vittoria deu dois passos à frente.

O salto dela tocava o chão com elegância ensaiada — mas o olhar… era puro veneno destilado.

— Você achou mesmo… — ela começou, a voz baixa, carregada de ódio controlado — que eu não veria? Que eu não perceberia? Ela não era só um pedaço descartável… não era isso o combinado.

Rafael virou o rosto apenas o suficiente para encará-la.

— Era. — respondeu, seco. — Ainda é.

Vittoria sorriu.

Um sorriso lento, afiado, tão falso quanto joia barata.

— Eu não sou burra, Rafael. — disse, aproximando-se mais um passo, ficando frente a frente com o próprio filho, sem piscar. — Eu sou Vittoria Montenegro.

E não cheguei onde estou sendo enganada por ninguém.

Rafael não moveu um músculo.

Os dois eram idênticos naquele momento:

— a postura,

— o silêncio,

— o perigo escondido atrás dos olhos.

— O que quer, mãe? — ele perguntou, sem paciência.

Vittoria ergueu o queixo.

— Quero que se livre desse fardo. — disse, como se falasse sobre lixo. — Quero que anule essa farsa e se case com Isabella. Como deveria ter sido desde o início.

Rafael deu um passo à frente.

Eles ficaram tão perto que até a tensão parecia respirar entre eles.

Vittoria não recuou.

Não era do tipo que recua.

Nunca foi.

Cobra encarando dragão.

— Não posso. — Rafael respondeu, firme. — Separar-me com menos de uma semana de casado chamaria atenção demais. Os investidores estão olhando para mim.

E já conhecem Valentina como minha esposa.

Vittoria estreitou os olhos.

— Você vai jogar fora um casamento que seria perfeito? Isabella tem sobrenome, tem classe, tem presença, tem—

— — Eu vou fechar um contrato bilionário. — Rafael a interrompeu, seco como um tiro. — E não vou perder isso por sua nostalgia ou capricho.

O veneno no ar ficou mais denso.

Vittoria respirou fundo — longa, silenciosamente — antes de soltar:

— Essa menina vai afundar você. Vai destruir tudo que construímos.

Rafael chegou mais perto ainda.

Os olhos cinzentos eram puro aço.

— Então sugiro que deixe ela em paz.

O tom não foi alto.

Foi pior.

Baixo, firme, definitivo.

— E não se atreva a tocar nela outra vez.

Nem direta…

nem indiretamente.

Vittoria arqueou uma sobrancelha.

— Isso é uma ameaça?

Rafael deu dois passos para trás.

Pois isso era mais assustador vindo de longe.

— Não, mãe. — disse, sem expressão. — É apenas um aviso.

Ele se virou para sair.

A raiva nela saltou do peito como labareda.

— Você está mudando, Rafael! — ela disparou. — Por causa dela!

Ele parou na porta.

Não olhou para trás.

— Eu não mudo. — respondeu. — Eu só não perdoo.

Fechou a porta.

Vittoria ficou imóvel por dois segundos — só dois — até a fúria tomar o corpo inteiro.

Ela girou, caminhou até a mesa lateral e, com um gesto seco, atirou um vaso de porcelana italiana no chão.

A peça se estilhaçou em centenas de pedaços.

Clara apareceu no corredor quase no mesmo instante — como se tivesse sido convocada pelo cheiro de caos.

Vittoria ergueu os olhos devagar.

Clara não ousou respirar.

— Mande limpar isso. — Vittoria disse, fria.

— Sim, senhora. — Clara respondeu, quase curvada.

Vittoria deu um passo na direção dela.

Os olhos agora tinham outra chama:

ódio… e diversão.

— Clara.

— Senhora?

Um sorriso fino, venenoso, rasgou o rosto da matriarca.

— Conto com você para fazer da vida de Valentina um inferno.

Moreira e Vieira saíram como se corressem de um incêndio.

A sala ficou só com Rafael… e Lucas.

— Só uma pergunta. — Lucas disse, encarando o teto, como se calculasse: — Quando você fala “no chão”, é no chão tipo “vergonha pública”, ou chão tipo “encerramos as atividades e vendemos até o carpete”?

Rafael finalmente sentou atrás da mesa.

— Os dois.

— Ah. — Lucas suspirou. — Entendi. A versão completa. O kit inferno.

Ele levantou.

— Vou trabalhar antes que você me coloque no mesmo pacote que o Avelar.

Quando chegou na porta, parou.

— E só pra registro… — ele disse, coçando a sobrancelha. — A Bianca me mordeu. Literalmente.

Disse que eu era um “gatinho manhoso” e que adorava o sabor de homens problemáticos.

Rafael não reagiu.

Lucas ergueu as mãos.

— É isso. Boa sorte com os demônios pessoais.

Saiu.

A porta se fechou.

A sala ficou em silêncio — mas não um silêncio vazio.

Um silêncio cheio demais.

Rafael apoiou as mãos na mesa.

Deu um longo suspiro…

e imediatamente odiou o fato de ter suspirado.

A imagem de Valentina no chão, tentando não chorar…

a marca vermelha no rosto dela…

os olhos dizendo eu sou a vítima aqui…

tudo isso bateu nele como um golpe que ele nunca admitiria sentir.

Ele pegou a caneta.

Girou uma vez.

Duas.

Três.

E quando a lembrança do toque de Fernando na pele dela atravessou sua mente—

CRACK.

A caneta quebrou no meio.

A tinta vermelha escorreu entre os dedos dele como sangue.

Rafael olhou para a própria mão suja.

E murmurou, tão baixo que nem o ar ouviu direito:

— Ninguém toca no que é meu. Ninguém.

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