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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 16

O escritório era um campo de batalha silencioso.

Vittoria estava sentada atrás da mesa, imóvel, elegante, perigosa.

Os olhos dela — frios como lâminas polidas — acompanharam Valentina caminhando até o centro do cômodo.

— Bom dia, senhora Montenegro. A senhora queria me ver. — Valentina disse, tentando manter firmeza na voz.

Vittoria não respondeu.

Levantou-se devagar.

Cada centímetro de movimento impregnado de desprezo.

Valentina não entendeu o que aconteceria até o exato segundo em que aconteceu.

O tapa veio rápido.

Seco.

Cruel.

O estalo atravessou o escritório.

A cabeça de Valentina virou para o lado, a pele queimando, latejando, ardendo.

Por um instante, ela só sentiu o chão fugir sob os pés.

Valentina levou a mão ao rosto — surpresa, dor, incredulidade — e encarou Vittoria.

— P-por quê…?

Vittoria não respondeu.

Apenas voltou para a mesa, pegou o jornal, e jogou-o aos pés de Valentina.

A manchete era cruel:

“ESCÂNDALO NA NOITE PAULISTANA:

ESPOSA DE RAFAEL MONTENEGRO EMBRIAGADA EM SALA PRIVATIVA.”

A foto — distorcida, mal-intencionada — mostrava Valentina rindo, o braço de Fernando próximo demais, Bianca desfocada ao fundo, a mão dele no ar.

E mais abaixo:

“Empresário Fernando Avelar declara:

‘Não sabia que ela era casada. Ela flertou comigo.’”

Valentina empalideceu.

— Isso é mentira. — ela disse, engolindo o choro que veio quente. — Ele entrou, insistiu, tocou em mim, eu não— eu nunca—

— Cale a boca. — Vittoria cortou.

O tom baixo, perigoso, de quem decide destinos.

— Você é uma vergonha. Uma humilhação para este nome. Uma garota que não sabe se comportar nem em público, nem dentro da casa em que come.

Valentina apertou os dedos contra as próprias pernas, tentando não tremer.

— Eu não fiz nada errado. — ela insistiu, a voz fraca. — Eu só… saí com uma amiga. Ele entrou sem convite, eu—

— É impressionante — Vittoria interrompeu, se aproximando — como gente da sua classe tem o dom de inverter tudo. A culpa nunca é sua, não é?

É sempre do outro. Sempre de alguém mais poderoso. Sempre um “mal-entendido”.

Valentina fechou os olhos por um segundo, tentando manter a dignidade presa por um fio.

— Senhora… por favor… eu não—

— VOCÊ CALA A BOCA QUANDO EU MANDO! — Vittoria rugiu, perdendo a compostura.

Valentina deu um passo para trás.

O coração batendo no pescoço.

Vittoria avançou mais um passo.

— Você está acabando com tudo. Com os negócios, com a reputação, com o nome da nossa família. Você é um erro que nunca deveria ter pisado nesta casa! Uma mulherzinha patética, fraca, que não sabe onde é o seu lugar!

Valentina não conseguia mais responder.

As palavras eram chicotadas.

Precisavam só de silêncio para doer mais.

E foi aí que a porta abriu.

A madeira bateu na parede.

Vittoria virou-se, ainda em chamas.

Rafael entrou.

O escritório inteiro prendeu o ar.

Ele viu:

Valentina com o rosto marcado.

Os olhos brilhando, mas sem lágrimas.

O corpo rígido, tentando não tombar.

Um jornal jogado no chão.

Rafael caminhou até o centro do cômodo.

Não rápido.

Não com raiva.

Mas com uma força que preenchia tudo.

A voz dele veio firme.

Gelada.

Letal.

— Já chega, mãe.

Vittoria abriu a boca, indignada.

— Você não viu o que ela fez! Você não tem ideia do escândalo que—

Rafael ergueu a mão.

Só isso.

E o silêncio caiu como uma sentença final.

Ele se virou para Valentina.

— Vamos. — ele disse, curto, frio, sem discussão.

Valentina hesitou.

Mas Rafael não permitiu.

— Agora. — ele repetiu, firme.

Ela passou por ele.

Rafael abriu a porta.

E sem olhar para trás, sem dar espaço para Vittoria continuar, saiu com Valentina ao lado.

Rígido.

Controlado.

Frio outra vez.

— A partir de agora — ele disse, cada palavra uma ordem — você está proibida de sair da mansão. Sem exceções.

Valentina engoliu seco.

— O quê…?

— Sempre que precisar ir a algum lugar, vai esperar por mim. — Rafael continuou. — Você não vai cruzar aqueles portões sozinha novamente.

Ela balançou a cabeça, incrédula.

— Eu… agora sou prisioneira?

A voz saiu trêmula, mas firme.

— Isso não estava no contrato, Rafael Montenegro.

O olhar dele escureceu.

— Não me importa o que estava no contrato. — ele disse, com a frieza de uma sentença. — Eu paguei por você, Valentina. Cabe a você obedecer.

Aquilo atingiu como aço quente.

Ela deu vários passos para trás até as pernas baterem na cama e caiu sentada, sem ar.

— Que espécie de sádicos são vocês? — sussurrou, a voz embargada. — O que é essa família?

Rafael inclinou a cabeça, sem piedade nenhuma.

— Aqueles que te compraram. — disse simplesmente.

Valentina sentiu algo quebrar dentro dela.

Devagar.

Cruel.

Silencioso.

Ele deu meia-volta.

Abriu a porta.

Rafael ficou parado na porta por um segundo a mais do que deveria.

Não era hesitação.

Um músculo no maxilar dele contraiu.

E foi aí que ele disse, mais frio do que antes:

— Me obedeça… ou vai pagar muito caro.

A porta bateu com força.

E o quarto mergulhou num silêncio que parecia arrancar ar dos pulmões.

Valentina ficou ali, imóvel na beira da cama, com o rosto ardendo, o peito vazio, e a sensação sufocante de que algo dentro dela — algo essencial — tinha morrido um pouco.

Sozinha.

Trancada.

Comprada.

E pela primeira vez desde o casamento…

ela não sabia se tinha forças pra continuar respirando.

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