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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 18

Valentina acordou com o coração acelerado.

Por um segundo, não sabia onde estava.

Nem quando.

Nem como.

A última coisa que lembrava era o chão frio do quarto… o rosto ardendo… e a sensação sufocante de que o mundo inteiro tinha decidido esmagá-la naquela noite.

Agora estava na cama.

Com o cobertor puxado até a cintura.

A luz apagada.

O silêncio pesado demais para ser natural.

Ela piscou algumas vezes, tentando forçar a memória a preencher as lacunas… mas tudo o que encontrou foi um vazio nebuloso, quente, desconfortável.

Devagar, sentou-se à beira da cama.

A cabeça latejava.

O estômago embrulhava.

E o rosto… bom, o rosto queimava como lembrança viva do tapa.

Quando finalmente respirou fundo, a primeira coisa que fez foi caminhar até a porta.

Girou a maçaneta.

Nada.

Trancada.

Não precisou tentar uma segunda vez para entender.

Nem bater.

Nem chamar.

Ela conhecia bem o tipo de silêncio que responde com “não adianta”.

Aquele silêncio era Montenegro.

Valentina encostou a testa na porta por um instante, o ar entrando e saindo rápido demais pelos pulmões.

— Ótimo. — murmurou, com um sorriso torto, ácido. — Prisioneira… mas com cama macia.

Quando virou para dentro do quarto, viu a bandeja sobre a mesa:

café da manhã impecável, frutas cortadas, pão fresco, chá de camomila ainda quente.

E ao lado, sobre a cadeira…

O conjunto bege que Clara tinha escolhido para ela.

Elegante.

Discreto.

Sem vida.

Valentina soltou um riso.

Aquele riso que não vem de humor — vem de desespero embalado em ironia.

— Prisioneira bem alimentada, pelo menos. — ela disse, mexendo a xícara como se interpretasse a própria tragédia.

Tirou a camisola da gaveta.

Tomou banho devagar, deixando a água quente tentar dissolver a vergonha, a humilhação, a raiva… e a pergunta que voltou como um eco:

Por que ele me carregou?

Por que me trouxe até aqui?

Por que me trancou?

Quando saiu do banheiro, colocou a camisola ao invés da roupa bege.

Um pequeno ato de rebeldia.

Mínimo.

Insignificante.

Mas era tudo que ela tinha.

Sentou-se na cama, puxou o celular do criado-mudo e o ligou.

O aparelho vibrou por quase dez segundos, como se tivesse acumulado o desespero do mundo inteiro.

Bianca (34 chamadas não atendidas).

Valentina suspirou… e apertou o sorriso mais sincero em dias.

Abriu as mensagens:

“AMIGAAAAAAAAAAAAA

VOCÊ FOI ABDUZIDA PELOS ALIENS MONTENEGRO???”

“SE TIVER VIVA, PISCA!!!”

“Lucas está insuportável. Me mordeu. Disse que eu ‘mereço coisa melhor’. Eu mereço é terapia.”

Valentina riu baixo, um riso cansado, mas verdadeiro.

E então veio a última mensagem de Bianca:

“Mano… olha ISSO.”

Link anexado.

Valentina clicou.

O vídeo abriu.

Fernando Avelar.

Sentado diante de um painel de imprensa.

Todo arrumado, mas visivelmente pálido.

Microfones à frente.

Jornalistas filmando.

E ele dizendo — com a voz trêmula, ensaiada, derrotada:

“Eu… venho a público me retratar. A senhora Valentina Montenegro não me assediou.

Não me provocou.

Eu menti.

Peço desculpas a ela, ao Grupo Montenegro e ao público.”

Valentina levou a mão à boca.

— Meu Deus…

Ela rolou a tela.

Outro link.

CENTRAL DE NEGÓCIOS – URGENTE

GRUPO AVELAR É ADQUIRIDO PELO GRUPO MONTENEGRO APÓS COLAPSO REPENTINO NAS AÇÕES.

Valentina sentiu a espinha gelar.

Isso não era coincidência.

Nem destino.

Nem justiça divina.

Era Rafael.

O peso da descoberta caiu sobre ela como uma marreta silenciosa.

Ele tinha visto.

Ele sabia.

Ele derrubou um empresário inteiro… em menos de doze horas.

Tudo sem levantar a voz.

— Outra coisa, senhor. — Moreira continuou, cauteloso. — O senhor pediu para reforçar a segurança ao redor da senhora Montenegro. Devo colocar alguém para segui-la discretamente?

Rafael apoiou o tablet na mesa.

— Não esta semana. — disse, firme. — Ela não vai sair do quarto.

A partir da semana que vem, sim. Um segurança para observá-la.

Invisível.

Constante.

— Como desejar, senhor.

Moreira deu um passo para trás — gesto instintivo quando o ambiente parece prestes a explodir.

O telefone da mesa tocou.

Moreira atendeu antes que Rafael sequer movesse a mão.

— Setor executivo, bom dia…

Sim… sim, ele está…

Moreira ficou pálido.

Olhou para Rafael como quem segura uma bomba.

— Senhor… é… o senhor Rogério Diniz.

O nome ecoou no escritório como uma sentença.

Rafael ergueu os olhos — lentos, cinzas, perigosos.

— O que ele quer? — perguntou.

— Está… solicitando uma reunião urgente com o senhor.

Rafael levantou a mão.

Moreira entendeu e colocou o telefone no viva-voz.

A voz de Rogério Diniz saiu seca, calculada, falsa como sempre:

— Montenegro, precisamos conversar sobre… assuntos financeiros pendentes.

Creio que será de interesse mútuo.

A respiração de Rafael mudou.

Leve.

Fria.

Assassina.

— Marque para amanhã de manhã. — ele disse.

— Sim, senhor. — Moreira respondeu, desligando.

Rafael se levantou.

Foi até a janela do último andar, a vista de São Paulo inteira se estendendo à frente — prédios, luzes, trânsito, caos.

O império dele.

E, agora…

o caos dela.

O reflexo dele no vidro era uma sombra afiada, dura, impecável.

Mas a frase que saiu de sua boca não tinha nada a ver com aço.

E sim com algo que ele ainda não tinha coragem de admitir.

— Eu vou te ajudar, Valentina.

Até o fim.

Mesmo que você me odeie quando descobrir tudo.

Ele fechou os olhos por um segundo.

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