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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 165

Valentina fechou a porta do quarto com cuidado, como se o simples clique pudesse acordar a casa inteira.

Ela apoiou a pasta do evento sobre a mesa e ficou alguns segundos apenas olhando para ela. O couro escuro, o brasão discreto, o peso simbólico que parecia maior do que qualquer papel ali dentro.

Evento internacional.

Transmissão mundial.

Presidentes. CEOs. Imprensa.

E ela.

A esposa “temporária”.

A que não deveria estar ali.

A que agora carregava o nome Montenegro na linha de frente.

Valentina passou a mão pelo rosto e puxou o celular quase no reflexo.

Não pensou muito.

Se pensasse, desistia.

Discou.

Chamou uma vez.

Duas.

— VAL? — a voz de Bianca veio alta, viva, com aquele tom que sempre parecia puxar Valentina de volta para a superfície. — Amiga, você sumiu! Eu tava quase ligando pra Interpol!

Valentina sorriu, mas o sorriso morreu rápido.

— Bi… — disse, soltando o ar devagar. — Você tá ocupada?

— Só se for ocupada sendo linda e desempregada por opção hoje. — Bianca respondeu. — Fala. O que aconteceu?

Valentina sentou-se na beirada da cama.

— Eu… — começou, e parou. Engoliu em seco. — Rafael me colocou responsável por um evento.

— Um evento tipo… jantarzinho de ricos entediados ou evento tipo vai parar no Jornal Nacional?

Valentina fechou os olhos.

— Tipo transmissão mundial. Entrada oficial da Montenegro no mercado global. Chefes de Estado. Investidores. Conselho. Imprensa internacional.

Do outro lado da linha, houve um silêncio.

— …Val.

— Hum.

— Respira. — Bianca disse, mais baixa agora. — Agora me diz: você tá ligando porque tá feliz ou porque tá prestes a surtar?

Valentina soltou uma risada curta, sem humor.

— Os dois. Mas o segundo tá ganhando.

Bianca suspirou.

— Ok. Então vamos por partes. Primeiro: parabéns. Isso é ENORME. Segundo: que filho da mãe genial é esse homem de confiar isso a você. Terceiro…

— Bianca.

— Tá bom, tá bom. — ela cedeu. — O que exatamente você precisa?

Valentina levantou-se e começou a andar pelo quarto, o celular preso ao ouvido, a outra mão gesticulando sozinha.

— Eu preciso de ajuda. — disse, direta. — Não técnica ainda. Emocional. Estratégica. Eu preciso saber se eu tô ficando louca ou se isso é realmente tão grande quanto parece.

— Val… — Bianca respondeu sem hesitar. — É grande. Mas você também é.

Valentina parou.

— Bi, não faz isso comigo agora.

— Não tô fazendo nada além de dizer a verdade. — Bianca rebateu. — Você cresceu vendo sua mãe organizar jantares políticos, negociações veladas, acordos feitos com guardanapos. Isso tá no seu sangue, mesmo que você ache que não.

Valentina mordeu o lábio.

— Mas ali era o mundo dela. — disse. — Aqui é o mundo deles. E eles não me querem nesse espaço.

— Ótimo. — Bianca respondeu, ácida. — Nada como incomodar as pessoas certas.

Valentina riu de leve.

— Você não tem noção do tamanho das expectativas.

— Tenho sim. — Bianca disse. — E é exatamente por isso que você não pode fazer isso sozinha. Mesmo que, no fim, a decisão seja sua.

Valentina sentou-se de novo.

— Eu vou precisar escolher fornecedores, cardápio, protocolo, local… — começou a listar. — Tudo sob escrutínio. Qualquer erro vira munição.

— Então você não erra. — Bianca disse, simples.

— Bi…

— Não, escuta. — ela interrompeu. — Você não erra porque você escuta, observa e se prepara. Diferente dessa gente que confunde poder com barulho.

Valentina fechou os olhos por um instante.

— Eu queria você aqui.

A resposta veio imediata.

— Eu vou. — Bianca disse. — Nem que seja pra segurar e xingar mentalmente todo mundo.

Valentina respirou fundo.

— Eu tô com medo, Bi.

— Eu sei. — Bianca respondeu, suave agora. — Mas ó… medo não é sinal de fraqueza. É sinal de que você entendeu o tamanho do jogo.

Valentina sentiu os olhos arderem.

— Obrigada.

— Ei. — Bianca sorriu do outro lado da linha, dava pra sentir. — Você não tá sozinha. Nem agora, nem quando esse circo pegar fogo.

Valentina riu de verdade dessa vez.

— Eu te ligo mais tarde. — disse. — Vou começar a organizar tudo.

— Vai lá, senhora Montenegro. — Bianca provocou. — Arrasa. E se alguém te olhar torto, lembra: você chegou aí não foi por acaso.

A ligação terminou.

Valentina ficou alguns segundos olhando para o celular apagado na mão.

Depois, endireitou os ombros.

Pegou a pasta novamente. Abriu.

Leu cada página com atenção renovada.

O medo ainda estava ali.

Mas agora, havia algo mais forte por cima dele.

Decisão.

Ela não sabia ainda que, em breve, alguém faria de tudo para vê-la tropeçar.

Mas sabia de uma coisa com clareza absoluta:

Se aquele evento fosse cair…

não seria por falta de preparo dela.

O almoço na mansão Montenegro transcorreu silencioso demais para ser confortável.

Valentina quase não percebeu o sabor da comida. A mente estava quilômetros à frente — listas, horários, protocolos, riscos. Ela comia mecanicamente, sentada à mesa longa demais para poucas pessoas, sentindo aquele peso estranho de quem ocupa um lugar que nunca foi pensado para ela.

Rafael saiu antes do café terminar. Um beijo rápido na testa dela, discreto demais para olhos atentos.

— Mais tarde falamos. — ele disse.

Ela assentiu.

Assim que ele saiu, a casa pareceu crescer de novo. Mais fria. Mais cheia de ecos.

CAPÍTULO 165 — QUANDO O MUNDO PEDE DEMAIS 2

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