A casa já dormia quando Valentina finalmente cedeu ao cansaço.
O quarto estava em penumbra, iluminado apenas pelo abajur esquecido aceso ao lado da cama. Ela havia largado a pasta do evento sobre a poltrona sem sequer fechá-la direito. Papéis escapavam pela lateral, como se também estivessem exaustos.
Deitou-se de lado, ainda vestida, o corpo pesado demais para qualquer ritual noturno. A mente tentou resistir por alguns minutos — listas, prazos, nomes, rostos — mas o sono venceu antes que ela pudesse organizar o caos.
Dormia profundamente quando a porta se abriu.
Sem batidas.
Sem aviso.
Rafael entrou e fechou atrás de si com cuidado excessivo para alguém que claramente não estava calmo.
Parou no meio do quarto.
Observou.
Valentina estava encolhida de lado, o rosto parcialmente escondido no travesseiro, a respiração lenta, vulnerável de um jeito que quase ninguém via. O lençol havia escorregado um pouco, revelando o ombro nu. O cabelo espalhado pela fronha.
Ele bufou baixo.
— Eu disse que era pra você dormir no meu quarto… — murmurou, mais para si do que para ela.
A irritação veio primeiro. Quase automática.
Depois veio outra coisa. Mais funda. Mais perigosa.
Rafael caminhou até a cama, sentou-se na beirada e ficou alguns segundos apenas olhando para ela, como se estivesse tentando decidir se acordava ou se ficava ali observando aquele momento roubado de quietude.
Decidiu pelos dois.
Deitou-se ao lado dela sem pedir espaço.
Valentina se mexeu no mesmo instante, o corpo reagindo antes da consciência. Sentiu o peso ao lado, o calor conhecido, e acordou assustada.
— Rafael… — murmurou, confusa. — O que—
Ele a puxou com firmeza para perto, um braço envolvendo a cintura, o corpo encaixando no dela com precisão irritada demais para ser só carinho.
— Me solta. — ela sussurrou, ainda meio presa ao sono.
— Não. — ele respondeu, baixo, decidido. — Essa é a sua punição por não estar no nosso quarto.
Valentina piscou algumas vezes, o coração acelerando.
— Você tá louco? — murmurou, tentando se afastar um pouco. — Eu achei que—
— Você não acha nada, senhora Montenegro. — ele interrompeu, a voz grave perto demais do ouvido dela. — É lá. Não aqui.
A mão dele apertou a cintura dela com firmeza suficiente para impedir qualquer fuga, mas não machucar. Nunca machucar.
— Rafael… — ela tentou de novo, agora irritada. — Eu passei o dia inteiro—
— Eu sei. — ele disse, num tom que a desarmou mais do que qualquer argumento.
O silêncio caiu pesado por um segundo.
Valentina tentou se soltar mais uma vez, mas ele a virou com facilidade, fazendo com que ficassem frente a frente. Os rostos próximos. Próximos demais.
Ela ia reclamar.
Não conseguiu.
Rafael a beijou.
Não foi um beijo apressado. Nem delicado. Foi um beijo carregado de frustração contida, de necessidade, de algo que tinha ficado preso o dia inteiro entre reuniões, olhares vigiados e decisões grandes demais.
Valentina resistiu por um instante. Um só.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário