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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 164

Valentina demorou mais do que o normal para sair do quarto naquela manhã.

O fuso ainda pesava no corpo, a mente insistia em funcionar em outro horário, e a mansão Montenegro — mesmo silenciosa — parecia grande demais para alguém que tinha passado os últimos dias se movendo entre aeroportos, quartos fechados e escolhas que não davam mais para desfazer.

Ela quase não tinha descido desde que voltara.

E Rafael sabia disso.

Na sala principal, ele estava em pé diante das janelas altas, o paletó aberto, a postura relaxada só o suficiente para enganar quem não o conhecia de verdade. Moreira permanecia a poucos passos, com uma pasta fina nas mãos e aquele ar profissional que escondia uma curiosidade difícil de conter.

— Ela ainda não desceu. — Moreira comentou, em voz baixa.

Rafael virou o rosto devagar. Havia algo diferente no olhar. Nada estratégico. Nada calculado.

— Peça para chamá-la. — disse. — Com calma.

Nada de ordens ríspidas. Nada de urgência. Moreira arqueou levemente a sobrancelha, quase sorrindo, antes de assentir.

Minutos depois, Valentina apareceu no alto da escada.

Cabelos presos de forma simples, roupa confortável demais para os padrões Montenegro, mas perfeita para quem ainda carregava o cansaço no corpo. Ela desceu devagar, como quem ainda está se adaptando ao próprio espaço.

Rafael a viu antes mesmo que ela chegasse ao último degrau.

E sorriu.

Não foi um sorriso aberto. Foi discreto. Contido. Íntimo demais para quem soubesse olhar.

Valentina percebeu. E respondeu do mesmo jeito.

Moreira pigarreou, muito consciente de que estava presenciando algo que não constava em nenhuma planilha corporativa.

— Bom dia, senhora Montenegro. — disse, formal, mas com um brilho divertido no olhar.

— Bom dia, Moreira. — ela respondeu, sincera.

Rafael indicou o sofá à frente. — Sente-se.

Valentina obedeceu, ainda tentando entender por que havia sido chamada.

Moreira entregou a pasta a Rafael, que a abriu apenas o suficiente para conferir o conteúdo antes de estendê-la para Valentina.

— Teremos um evento internacional. — Rafael começou, direto. — O anúncio oficial da entrada da Montenegro no cenário global.

Valentina pegou a pasta com atenção imediata.

— Será transmitido mundialmente. — ele continuou. — Conselho, investidores, imprensa internacional.

Ela abriu o material. Leu a primeira página. Depois a segunda.

— Geralmente é minha mãe quem fica a cargo desses detalhes. — Rafael acrescentou, num tom casual demais para algo tão grande. — Mas este ano… será você.

Valentina ergueu o rosto num impulso. — Eu?

Rafael assentiu. — Vittória não está. — disse. — E eu confio em você.

A palavra confio caiu entre eles com um peso específico.

Valentina voltou os olhos para a pasta, agora com outra postura. Organização. Curadoria. Lista de convidados. Protocolo internacional.

— Isso é enorme. — murmurou.

— Eu sei. — Rafael respondeu.

Ela respirou fundo. — Onde será?

Rafael se recostou levemente, cruzando os braços. — Quero algo à altura do anúncio. — disse. — Algo que represente poder sem ostentação vulgar.

Valentina pensou por menos de três segundos.

— Rosewood São Paulo. — respondeu. — O hotel fala por si. História, luxo, arquitetura. É impecável para transmissão internacional.

Rafael sorriu de canto. — Ótimo.

Moreira anotou o nome com rapidez. — Excelente escolha, senhora Montenegro.

Valentina fechou a pasta por um instante, pensativa. — Você tem certeza que quer que eu faça isso? — perguntou, honesta. — Não é exatamente um jantar íntimo.

Rafael deu um passo à frente. — É exatamente por isso.

Ela sustentou o olhar dele por um segundo. Depois sorriu, irônica.

— Ótimo. — disse. — Não tem como trazer sua mãe de volta, certo?

Rafael arqueou a sobrancelha. — Por quê?

Valentina deu de ombros. — Eu não me importo de levar esporros. — murmurou.

Rafael riu. Moreira quase riu também — e se conteve no último segundo.

— Então está decidido. — Rafael concluiu. — Você organiza.

Valentina assentiu devagar.

Permaneceu ali, sentada, com a pasta ainda apoiada sobre as pernas, os dedos fechados na borda de couro como quem já sabia que aquilo não era só um evento — era um teste.

Ela ergueu o rosto novamente.

— Antes de começar… — disse, pensativa. — Eu lembro da minha mãe organizando alguns jantares políticos quando eu era mais nova. Empresários, diplomatas, gente que decide coisas grandes com guardanapos pequenos.

Rafael a observava em silêncio, atento de um jeito que não intimidava — convidava.

CAPÍTULO 164 — O LUGAR QUE NÃO ERA DELA 1

CAPÍTULO 164 — O LUGAR QUE NÃO ERA DELA 2

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