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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 158

O jato já havia atingido altitude de cruzeiro quando Bianca começou a estranhar.

Não foi nada óbvio.

Nada escandaloso.

Foi o tipo de percepção que só alguém que conhece bem demais outra pessoa consegue ter.

Valentina estava… diferente.

Sentada ao lado da janela, um copo de suco nas mãos, o olhar perdido no nada como se estivesse observando algo muito além das nuvens. Não estava triste. Não estava nervosa. Estava quieta demais.

Bianca inclinou-se lentamente, como quem vai comentar algo trivial sobre o voo, e cochichou:

— O que tá acontecendo entre você e ele?

Valentina não respondeu de imediato. Apenas abaixou o olhar, girando o copo entre os dedos.

Do outro lado do corredor, Rafael falava baixo com Lucas, mas lançou um olhar rápido na direção delas — rápido demais para parecer curiosidade, atento demais para ser coincidência.

Valentina percebeu.

— Estamos indo. — respondeu enfim, em voz baixa. — Não bem. Nem ruim. Só… indo.

Bianca franziu o cenho.

— “Indo” não é resposta, Val. — murmurou. — Isso é estado de gente que tá engolindo coisa demais.

Fez uma pausa curta, avaliando.

— Tá. — continuou. — Fala. Ele fez alguma coisa?

Valentina soltou um ar curto pelo nariz, quase um riso sem humor.

— O pior é que não. — disse. — Mas também não fez.

Bianca virou lentamente o rosto, observando Rafael como quem analisa um eletrodoméstico defeituoso.

— Um freezer. — concluiu. — Você esperava o quê?

Valentina levou o copo à boca… e engasgou.

Começou a rir, tentando conter o som, a mão cobrindo os lábios.

— Bianca… — murmurou, entre risos. — Pelo amor de Deus.

— O quê? — Bianca rebateu, séria demais para estar brincando. — Ele é lindo, poderoso e emocionalmente congelado. Isso não é crítica, é descrição técnica.

Valentina respirou fundo, recuperando o controle.

Bianca, então, baixou ainda mais a voz.

— Mas ó… — disse. — Eu tô achando que sei o que aconteceu.

Valentina a olhou.

— O Conde Vlad saiu da Transilvânia sem a Mortícia pra ir até o Japão. — Bianca continuou. — E eu tenho certeza absoluta de que não foi pra parabenizar o filhinho querido.

Valentina fechou os olhos por um segundo.

Depois, sussurrou:

— Ele me pagou.

Bianca congelou.

— Como é que é?

— O pai dele. — Valentina continuou, a voz baixa, controlada. — Me pagou pra nunca mais me aproximar do filho dele. Pra eu lembrar qual é o meu lugar. De esposa temporária.

O silêncio entre as duas foi imediato.

Bianca não disse nada por alguns segundos. Apenas ficou ali, olhando para frente, o maxilar travado, o copo intocado na mão.

Então se levantou bruscamente.

— Eu vou dar na cara dele.

Valentina reagiu no reflexo, segurando o braço da amiga.

— Bianca. — sibilou. — Cala a boca.

— Não, eu vou—

— Cala. A. Boca.

Bianca havia se exaltado o suficiente para chamar atenção.

Rafael olhou.

Lucas também.

Bianca percebeu no mesmo instante.

Endireitou a postura, abriu um sorriso largo e absolutamente falso.

— Desculpa. — disse alto demais. — Acho que vi um rato.

Fez um gesto vago com a mão.

— Não se preocupem. É normal em voos longos.

Lucas fechou os olhos por um segundo, respirando fundo.

Rafael apenas voltou o olhar para a frente, expressão neutra, mas o corpo atento.

CAPÍTULO 158 — ENTRE O QUE NÃO SE DIZ 1

CAPÍTULO 158 — ENTRE O QUE NÃO SE DIZ 2

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