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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 157

O carro deixou a casa Yamamoto com a mesma elegância com que tudo ali acontecia: sem pressa, sem barulho, sem despedidas teatrais.

Valentina olhou pela janela enquanto o portão se fechava atrás deles, e por um segundo teve a sensação de que o Japão tinha sido um capítulo escrito com tinta fina demais — bonito demais para ser leve, silencioso demais para ser inocente.

Rafael estava ao lado dela no banco traseiro. Impecável. Fechado. A gravata no lugar. O rosto sem sinais da noite anterior, como se ele tivesse guardado o homem do sofá em uma gaveta e trancado com chave.

Ela não perguntou se ele dormiu. Ele não explicou por que não voltou para a cama.

Os dois estavam no mesmo espaço… e em mundos diferentes. Moreira notou o frio entre eles e suspirou fundo.

O motorista manteve o silêncio. As ruas de Tóquio corriam lá fora como linhas retas, ordenadas, disciplinadas. Valentina achou irônico: por dentro, nada nela estava em ordem.

Ela segurou a bolsa com mais força do que precisava. O envelope no fundo parecia pesar como uma pedra, mesmo sem tocar sua pele. Ela não iria pensar nele agora.

Não ainda.

O carro entrou em um acesso reservado, cercado por segurança discreta e placas que não anunciavam nada a quem não tivesse permissão. Um portão. Um corredor de concreto. Luzes brancas. Tudo rápido, limpo.

Valentina franziu a testa.

— Nós não vamos para o aeroporto comum, né? — perguntou, mais para confirmar do que por dúvida real.

Rafael não tirou os olhos da frente.

— Não.

A resposta curta veio com a naturalidade de quem considerava “óbvio” aquilo que para o resto do mundo seria sonho.

O carro parou.

Do lado de fora, havia um pequeno terminal privado, discreto, eficiente. Um funcionário já aguardava, postura impecável, rádio no ouvido, e duas pessoas com crachás que pareciam pertencer a um outro tipo de realidade.

Valentina desceu do carro e olhou ao redor. O ar era diferente ali. Cheiro de combustível. Metal. E aquela sensação estranha de que o mundo funciona com outra velocidade quando você tem dinheiro suficiente pra dobrar o tempo.

— Nós vamos de avião? — ela soltou, antes de se controlar.

Rafael pegou a mala dela com a mesma calma com que pegaria um documento.

— Vamos. — fez uma pausa mínima. — No jato particular da família.

Valentina abriu a boca, pronta para falar alguma ironia… e congelou.

Porque, do outro lado do hall, alguém estava literalmente fazendo sinais com os dois braços no ar como se estivesse tentando guiar um avião maior do que a dignidade.

Bianca.

Valentina soltou um riso baixo que escapou antes que ela pudesse esconder.

— Ela… — murmurou. — um dia, me mata...

Bianca viu.

E veio.

Correndo.

Com energia, com drama, com alegria e uma falta total de vergonha que fazia Valentina sentir uma inveja secreta e muito inconveniente.

— BOM DIA, SENHORA MONTENEGRO! — Bianca anunciou alto demais para o lugar, mas baixo o suficiente para ainda parecer “educada” dentro da cabeça maluca dela.

Valentina revirou os olhos no reflexo mais automático do universo.

— Bianca… pelo amor de Deus…

Bianca parou na frente dela, sorrindo com a cara de quem tinha acabado de ganhar na loteria emocional.

— Olha você, toda internacional. Toda global. Toda “minha amiga agora faz parte do top 1% das fofocas do planeta”. — ela apontou para o chão como se fosse um palco. — Pisa com calma, tá? Porque isso aqui é território de gente que manda matar reputação com um " Suma com ela do mapa".

Valentina engoliu o riso, mas perdeu. Riu.

Rafael ficou imóvel por um segundo, observando aquela cena como quem avalia uma tempestade entrando numa sala de vidro.

Lucas apareceu logo atrás, calmíssimo, como se fosse o corpo de bombeiros designado para viver ao lado de Bianca.

— Bom dia. — ele disse para Valentina, educado, contido.

— Bom dia— Valentina respondeu, sincera. — Obrigada por terem ficado.

Bianca levantou o dedo, interrompendo.

— “Ficaram” é ótimo. — ela disse, indignada. — Eu fiquei foi presa, porque alguém… — ela olhou para Rafael como quem aponta para um deus pagão perigoso — mandou a gente ficar. E eu obedeci porque, né…, respeito e curiosidade.

Rafael não reagiu. Só soltou uma frase, neutra:

— Era mais seguro irmos todos juntos.

Bianca abriu os braços.

— Aí, ai… ser rico deve ser tão bom.

Valentina arqueou a sobrancelha.

CAPÍTULO 157 — O CÉU NÃO ESPERA 1

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