O salão Yamamoto não era grandioso por excesso.
Era imponente por escolha.
Linhas limpas, madeira escura, arranjos discretos de flores brancas e luzes estrategicamente posicionadas para valorizar rostos — não para ofuscar. Ali, tudo falava de poder sem precisar elevar a voz.
O senhor Yamamoto já estava presente.
Impecável no terno sob medida, postura ereta, expressão serena de quem sabia exatamente o peso do que estava prestes a acontecer. Circulava entre empresários convidados, cumprimentando com gestos firmes, conversas breves, sorrisos calculados. Um anfitrião absoluto — não pela ostentação, mas pelo respeito silencioso que impunha.
Aquela não era apenas uma assinatura.
Era uma validação.
Quando Rafael e Valentina chegaram ao corredor que antecedia o salão, o movimento pareceu desacelerar um pouco — não por anúncio, mas por percepção.
Rafael caminhava com a segurança de quem já sabia onde pisaria. Terno impecável, expressão neutra, olhar atento. O CEO Montenegro estava inteiro ali — sem fissuras visíveis.
Valentina, ao lado dele, sustentava a própria presença com elegância contida. Não chamava atenção por excesso, mas por precisão. Era observada — e sabia disso. Não desviava. Não se encolhia. Apenas ocupava o espaço que lhe cabia.
Antes de entrarem oficialmente, ela varreu o ambiente com o olhar.
E então viu.
Bianca estava próxima a uma das mesas altas do coquetel, taça na mão, postura absolutamente comportada — o que, por si só, já era suspeito. Lucas permanecia ao lado, igualmente contido, sério demais para alguém que costumava quebrar qualquer protocolo em menos de cinco minutos.
Valentina arqueou a sobrancelha, surpresa.
Bianca a viu no mesmo instante.
O sorriso que surgiu foi curto. Discreto. Social.
Mas quando Valentina passou mais perto, Bianca inclinou levemente o rosto, fingindo observar o ambiente… e sussurrou:
— Não se empolga. — murmurou, sem tirar o sorriso dos lábios. — Prometi hoje ser uma cidadã exemplar. Amanhã eu volto a ser eu.
Valentina segurou o riso com profissionalismo invejável.
— Estou orgulhosa. — respondeu baixo. — Deve estar doendo.
— Muito. — Bianca confirmou. — Já contei três lustres e dois egos inflados. Tô me segurando.
Lucas pigarreou ao lado, sério demais.
— Eu ouvi isso. — murmurou.
— Ótimo. — Bianca sorriu ainda mais. — Faz parte do pacote.
Valentina se afastou com o coração mais leve, sem perder a postura. Aquela pequena âncora de normalidade ajudava mais do que qualquer discurso interno.
Rafael percebeu o microdiálogo. Não perguntou nada. Apenas lançou um olhar rápido para Valentina, curioso.
— Depois eu explico. — ela murmurou, quase imperceptível.
Ele assentiu.
Seguiram em direção à entrada principal do salão.
Do outro lado das portas altas, o som do coquetel crescia — conversas em vários idiomas, taças se tocando, passos controlados. O momento estava próximo.
O senhor Yamamoto voltou-se discretamente na direção deles. Seus olhos encontraram os de Rafael, e um leve aceno de cabeça selou o reconhecimento mútuo.
Estava tudo pronto.
Os funcionários posicionaram-se próximos às portas.
Valentina respirou fundo uma única vez. E, antes que pudessem cruzar o limiar, um movimento do outro lado do salão alterou o eixo da atenção.
Augusto Montenegro acabava de entrar.
Não procurou o filho.
Não exigiu atenção.
Apenas entrou.
Vestia-se com a sobriedade de quem não precisava provar nada a ninguém. O terno escuro era impecável, o rosto fechado em neutralidade estudada. Parou por um instante próximo à entrada, observando o salão como quem mede território — e depois seguiu para um dos assentos mais ao fundo.
Ali permaneceu.
Silencioso.
Atento.
Presente demais para ser ignorado.
Valentina percebeu primeiro.
Estava ao lado de Rafael quando sentiu aquela mudança sutil no ar — o tipo de sensação que não se explica, apenas se reconhece. Virou o rosto com discrição e, então, viu.
Augusto.
O coração dela deu um salto curto, controlado.
Sem alarde, Valentina tocou levemente o antebraço de Rafael, um gesto mínimo, quase imperceptível para qualquer um que não fosse ele. Rafael não reagiu de imediato. Apenas seguiu o movimento do olhar dela.
E viu.



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