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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 151

Valentina acordou antes de abrir os olhos.

O primeiro sinal foi o peso quente ao seu lado.

O segundo, o braço firme atravessado sobre sua cintura, puxando-a para trás como se, mesmo dormindo, alguém tivesse decidido que ela não iria a lugar nenhum.

Ela franziu o cenho devagar.

— Claro… — murmurou, ainda com os olhos fechados. — Óbvio que aconteceu de novo.

Tentou se mexer um pouco, apenas para confirmar a teoria. O movimento foi mínimo, mas suficiente para sentir o corpo reclamar — aquela mistura deliciosa de cansaço e memória que não deixava mentir.

— Eu disse que não ia acontecer. — continuou, baixinho, quase se repreendendo. — Disse com todas as letras…

Abriu um olho. Depois o outro.

Rafael Montenegro dormia ao lado dela.

De lado, o rosto relaxado de um jeito raro, a respiração tranquila demais para alguém que normalmente parecia sempre em guerra com o mundo. O cabelo levemente bagunçado, a barba por fazer desenhando sombras no maxilar forte.

Bonito demais para alguém que não tinha o menor direito de ser.

Valentina suspirou.

— E olha só você aqui… — murmurou. — Eu claramente não aprendo.

— Aprende, sim. — a voz dele veio baixa, ainda carregada de sono. — Só escolhe ignorar.

Ela congelou por meio segundo.

Depois virou o rosto, encontrando os olhos castanhos já abertos, atentos, divertidos.

— Você estava acordado? — perguntou.

— Sim — respondeu, um canto da boca se erguendo. — Bom dia, senhora Montenegro.

Valentina ficou olhando para ele por alguns segundos. Longos demais para serem casuais. Curiosos demais para serem neutros.

— Bom dia, senhor Montenegro. — respondeu, finalmente, o tom carregado de uma ironia suave que não escondia o sorriso.

Ela começou a se apoiar no colchão para levantar.

Não chegou longe.

Rafael se moveu rápido, prendendo-a novamente com o próprio corpo, uma mão firme acima da cabeça dela, a outra segurando sua cintura com naturalidade perigosa.

— Onde pensa que vai? — perguntou, a voz ainda rouca.

— Ao banheiro. — respondeu, sincera.

Ele inclinou-se, os rostos próximos demais para qualquer argumento funcionar.

E a beijou.

Não foi um beijo urgente.

Foi lento, profundo, daquele tipo que não pede licença porque já sabe a resposta.

Valentina tentou protestar — tentou mesmo — mas a boca dele desarmava qualquer tentativa de lucidez. Quando Rafael se afastou, foi apenas o suficiente para falar:

— Temos uma noite longa hoje. — disse. — Dorme mais um pouco.

Ela o encarou, respirando fundo, sentindo o corpo inteiro discordar da parte racional da mente.

— Preciso mesmo ir ao banheiro. — insistiu, com um sorriso.

Rafael a observou por mais um segundo. Depois se afastou, rolando para o lado com um suspiro controlado.

— Vá. — concedeu. — Antes que eu mude de ideia.

Valentina saiu da cama devagar, sentindo o lençol abandonar a pele quente. Caminhou até o banheiro ainda meio sonolenta, fechando a porta atrás de si.

Foi só então que se olhou no espelho.

E parou.

Havia marcas.

No pescoço. Nos ombros. Na curva suave entre o colo e o braço. Pequenas, discretas demais para serem escândalo — evidentes demais para serem ignoradas.

Ela inclinou a cabeça, analisando o próprio reflexo.

— Ele virou um canibal… — murmurou, incrédula.

Suspirou fundo, apoiando as mãos na pia.

Fez o que precisava fazer, escovou os dentes, deixou a água quente cair sobre os ombros, tentando organizar pensamentos que claramente não estavam interessados em cooperação.

Quando saiu do banho, enrolada na toalha, o quarto parecia diferente.

Rafael estava sentado na beira da cama, já vestido parcialmente, o celular no ouvido. A postura havia mudado. Ombros alinhados. Expressão concentrada.

O CEO tinha voltado.

— Não. — dizia em inglês, a voz firme. — Quero isso ajustado antes do fim do dia. Sem margem de erro.

Valentina foi até o closet e começou a se vestir em silêncio. Escolheu um vestido simples, elegante, sem pensar muito.

Rafael falava, delegava, decidia. Mas observava.

Cada movimento dela.

O jeito como levantava os braços.

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