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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 12

Valentina acordou antes do despertador.

Na verdade… nem tinha dormido direito.

Tomou banho, prendeu o cabelo num coque firme, passou a maquiagem leve que Clara tanto exigia — e vestiu um conjunto discreto, elegante, mas com um toque dela, como quem tenta colocar um pouco de alma naquilo que estavam arrancando.

Quando Clara abriu a porta do quarto sem bater, esperando vê-la desgrenhada, atrasada, desorganizada, tropeçou na própria expectativa.

Valentina estava pronta.

Erguida.

Serena.

Impecável.

Clara parou no batente, os olhos percorrendo de cima a baixo — procurando algo para criticar, algo fora do lugar, algo errado.

Nada.

Valentina arqueou uma sobrancelha.

— Algum problema? — perguntou, com voz suave, quase educada, mas carregada de ironia fina.

Clara crispou os lábios.

— Não. — respondeu seca.

Valentina passou por ela, sem tocá-la.

— Ótimo. Feche a porta quando sair. — disse, sem olhar para trás.

Clara ficou alguns segundos parada no corredor, mordendo a própria raiva, antes de obedecer.

---

A sala de jantar estava silenciosa demais.

Vittoria sorvia café como quem julga o mundo.

Rafael lia relatórios no tablet, impecável no terno cinza, frio como mármore.

Valentina entrou.

— Bom dia. — disse, sem baixar o olhar.

Rafael ergueu os olhos por um segundo. Vittoria não respondeu, só apertou mais a xícara.

Valentina se sentou, começou a comer devagar. O silêncio era tão pesado que parecia ter peso físico.

Rafael terminou o café, recolheu o tablet e começou a se levantar.

Valentina, sem pensar muito, tocou o braço dele.

Foi leve.

Quase nada.

Mas ele parou.

E olhou para ela.

Não irritado.

Não confuso.

Apenas… atento.

— Preciso te falar uma coisa. — ela disse, firme.

Ele não afastou o braço. Não recuou. Não desdenhou.

— Diga. — respondeu.

Valentina respirou fundo.

— Uma amiga minha… uma amiga de verdade… voltou ao Brasil. Eu vou encontrá-la hoje. — disse. — Gostaria de saber se posso ir.

Foi rápido, mas Rafael viu.

O brilho nos olhos dela.

O tipo de brilho que não era para ele — e nunca tinha sido.

Um brilho que ele não via desde… desde o casamento.

Talvez nem ali.

Ele inspirou devagar.

— Pode ir. — disse.

A mesa congelou.

Valentina sorriu — um sorriso pequeno, verdadeiro, puro, tão raro que quase cortou o ar.

E aquilo acertou Rafael como um golpe surdo.

Vittoria quase engasgou.

— Rafael! — exclamou, indignada. — Hoje é o jantar da família, às sete! Ela precisa estar presente! Precisa mostrar que tem postura, que tem—

— Eu disse que ela pode ir. — Rafael a cortou, sem levantar a voz.

Foi tão frio, tão seco, tão definitivo que o garçom deixou cair uma colher na cozinha.

— E eu também não estarei no jantar. — completou ele, pegando o paletó. — Então nada disso importa.

Vittoria ficou boquiaberta, a palavra presa na garganta.

Rafael saiu da sala.

As duas sentaram-se em um lounge discreto.

O garçom se aproximou; Bianca ignorou o cardápio e já pediu:

— Dois spritz. Fortes. Muito fortes. A gente precisa reidratar a alma.

Valentina riu de novo.

— Ainda nem contei o que aconteceu.

— Não precisa. Eu vi nas redes. — Bianca estalou a língua. — A advogada mais brilhante do país casou com o homem mais indesejado do Brasil. Val, eu pensei que era deepfake.

— Não é. — ela respondeu, suspirando.

— E pra completar — Bianca continuou, indignada — eu tive um encontro às cegas com um dos imbecis da família Medeiros.

Você acredita que o sujeito teve a audácia de dizer que se casaria comigo SE eu aceitasse que ele tivesse amantes?

E que me daria uma mesada de 200 mil?

Valentina quase engasgou rindo. — Du-duzentos mil?

— DU-ZEN-TOS! — Bianca jogou os braços pro alto. — Val, eu faço isso em duas horas de trabalho! Sou cientista, cacete! Quer dizer… não hoje. Hoje eu só quero morrer.

Valentina recostou-se na cadeira, o sorriso se abrindo mais e mais.

— Eu senti falta disso… — confessou. — Muito.

Bianca suavizou, tocando a mão dela.

— Senti falta de você também.

E você não tá bem.

Eu sei que não tá.

Valentina respirou fundo.

Não precisava explicar. Bianca entendia só de olhar.

— Mas eu tô aqui. — disse Bianca, firme. — E você vai lembrar como é ser… você.

O garçom trouxe as bebidas.

Bianca ergueu a taça.

— Um brinde à sobrevivência. — disse ela.

Valentina ergueu a sua, com um sorriso pequeno — mas verdadeiro.

— Um brinde às amigas que aparecem no momento certo.

As taças se tocaram com um som suave.

Por um instante, o mundo ficou leve.

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