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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 111

Valentina tentava se concentrar.

Tentava.

Mas o golfe definitivamente não colaborava.

A bola permanecia ali, imóvel, quase desafiadora, enquanto ela alternava entre acertar o ar com convicção exagerada ou raspar o chão com uma determinação que não produzia absolutamente nada de útil.

Ela tentou outra vez. Respirou fundo, posicionou os pés como tinha visto Akemi fazer, ajustou as mãos no taco e concentrou o olhar na bola branca repousando no gramado impecável.

Desceu o taco.

O som seco veio…

mas não da bola.

O chão respondeu primeiro.

Ela fechou os olhos por um segundo, contendo o impulso de rir de si mesma.

— Ok… — murmurou. — Pelo menos eu estou acertando alguma coisa.

Tentou novamente.

Dessa vez, o taco cortou o ar com convicção demais. A bola sequer se moveu.

Valentina soltou o ar devagar, apoiando o peso do corpo em uma perna só, olhando o campo à frente como se ele tivesse conspirado contra ela desde o início.

Não estava frustrada.

Estava… consciente.

Consciente demais de que estava sendo observada.

Não por julgamento.

Por atenção.

Rafael a observava a alguns metros de distância.

Não havia pressa no modo como se aproximou. Nenhum gesto de superioridade. Apenas passos firmes, tranquilos, como quem decide algo simples — ajudar.

— Você está tentando compensar com força. — disse, parando ao lado dela.

Valentina virou o rosto, surpresa apenas o suficiente.

— É assim que faço quando não sei o que estou fazendo. — respondeu, com um meio sorriso honesto. — Geralmente funciona melhor em tribunais.

Rafael quase sorriu.

Quase.

— Posso te mostrar? — perguntou.

Ela assentiu sem pensar muito.

— Por favor.

Ele se posicionou atrás dela.

Muito perto.

Valentina sentiu antes de ver.

O calor do corpo dele.

A presença sólida.

A diferença brutal entre tentar sozinha e ter alguém ali, guiando.

— Relaxe os ombros. — Rafael murmurou.

As mãos dele tocaram primeiro nos ombros dela, firmes, quentes, ajustando a postura com cuidado quase excessivo. Depois desceram lentamente pelos braços, alinhando cotovelos, corrigindo ângulos.

O toque não era invasivo.

Mas era íntimo demais para ser ignorado.

O corpo dela reagiu antes da mente.

A respiração ficou mais curta.

O coração bateu mais rápido.

Rafael estava colado agora.

O peito dele às costas dela.

O braço passando à frente do corpo dela para ajustar a posição do taco.

— Assim. — disse, baixo, próximo demais do ouvido dela. — Não força. Confia no movimento.

O perfume dele se misturava ao ar limpo do campo.

O vento leve não ajudava.

Nada ajudava.

Valentina engoliu em seco.

— Rafael… — começou, sem saber exatamente o que diria.

— Foca. — ele interrompeu, gentil, mas firme. — Só nisso agora.

As mãos dele envolveram as dela no cabo do taco.

Dedos quentes.

Precisos.

Seguros.

Ela sentiu.

Sentiu tudo.

— Agora… — ele disse, a voz baixa demais para ser casual. — Vai.

Valentina respirou fundo.

Desceu o taco.

O impacto foi limpo.

Perfeito.

A bola ganhou o ar e seguiu em linha reta, cortando o campo com uma elegância inesperada.

— Eu… — ela arregalou os olhos. — Eu acertei?

Rafael soltou as mãos dela lentamente.

— Acertou. — respondeu.

Valentina se virou rápido, o sorriso aberto, genuíno, luminoso.

— Sim, senhor.

Valentina sentiu o impacto antes de pensar sobre ele.

Ela abaixou o olhar para o taco nas mãos, girando-o levemente.

— Vai lá. — disse, antes que ele precisasse decidir. — Eu continuo treinando aqui.

Rafael olhou para ela.

Por um segundo, pareceu hesitar.

— Não demoro. — respondeu, automático.

Ele se afastou com Moreira, já puxando o celular do bolso, a postura mudando a cada passo — do homem atento ao jogo para o homem que carregava empresas inteiras nas costas.

Valentina observou até que ele estivesse longe o suficiente para não notar.

Só então soltou o ar.

Moreira lançou um último olhar para trás antes de seguir Rafael. Um olhar rápido, curioso, quase desconfiado.

Ele tinha visto o suficiente para perceber que algo tinha mudado de lugar.

Valentina voltou a se posicionar.

Respirou fundo.

Tentou repetir o movimento.

A bola saiu… aceitável.

— Nada mal. — comentou Hana, surgindo ao lado dela com um sorriso tranquilo. — Para alguém que jurou não saber jogar.

Valentina sorriu de leve.

— Ainda não sei. — respondeu. — Só tive uma boa explicação.

Hana observou o campo por alguns segundos antes de falar de novo.

— O senhor Montenegro explica bem. — disse, casual.

Valentina sentiu o comentário bater fundo demais.

— Ele é… eficiente. — respondeu, escolhendo a palavra com cuidado.

Hana riu baixo.

— Sim... Sim... Eficiência.

Valentina não respondeu.

O silêncio, dessa vez, não era desconfortável — era reflexivo.

Alguns minutos depois, uma funcionária se aproximou com passos contidos e uma leve reverência.

— O almoço será servido em breve. — informou. — Quando desejarem.

Hana assentiu.

— Vamos chamar os homens antes que se esqueçam de comer. — comentou, divertida. — Negociações costumam roubar o apetite… e o bom senso.

Valentina deu uma última olhada para o campo.

Rafael ainda estava afastado, falando ao telefone, a mão livre gesticulando de forma contida. O rosto sério, concentrado. O mesmo homem de sempre.

Valentina apoiou o taco no suporte e caminhou em direção à saída do campo.

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