O vento passou suavemente pelo campo, levantando pétalas soltas e fazendo as luzes penduradas balançarem como estrelas impacientes esperando o momento certo para brilhar.
A plateia estava em silêncio, não aquele silêncio desconfortável, mas o que nasce quando algo importante, irrepetível, está prestes a acontecer.
Os peões que sempre carregavam feno agora seguravam celulares. As amigas sorriam com lágrimas presas nos cílios. Fiorella e Magnólia já choravam sem nenhum pudor.
E ali, diante do altar ao ar livre, sob uma figueira antiga que parecia abençoar a cena, estavam eles:
Taylor e Lila.
Ele respirou fundo antes de começar.
Não tinha papel.
Não tinha cartão.
Não tinha discurso decorado.
Era só ele: verdadeiro, vulnerável, inteiro.
— Lila… — começou, com uma voz baixa, mas firme.
Ela levantou os olhos para ele.
E naquele instante… o mundo deixou de existir.
Apenas ele.
Apenas ela.
E uma história.
— Eu achei que sabia o que era amor antes de você — confessou. — Achei que sabia o que era futuro… o que era planejar… o que era viver.
Ele sorriu, aquele sorriso torto, tímido, que ela conhecia melhor que sua própria respiração.
— Mas aí você entrou na minha vida como um furacão teimoso e irresistível… e destruiu tudo o que eu achava que era suficiente.
Algumas risadas baixas escaparam da plateia. Outras lágrimas caíram.
Lila já chorava, silenciosamente, inevitavelmente.
Taylor respirou fundo, e quando falou de novo… algo mudou no tom.
— Você quer saber a verdade? A primeira vez que te vi… eu não sabia o que estava acontecendo comigo. — Ele riu baixinho. — Foi numa festa na casa dos meus pais. Você estava encostada no balcão, toda metida, mexendo no celular como se o resto do mundo fosse indigno da sua atenção.
Alguns convidados riram.
Lila levou a mão à boca.
Ele continuou:
— Você estava com aquele batom vermelho e aquele olhar afiado que dizia: “Se chegar perto, eu mordo.”
Ele inclinou um pouco o rosto, nostálgico.
— E ali… bem ali… eu pensei: “Meu Deus… tô ferrado.”
Vários sorrisos apareceram.
— Aí a gente foi se encontrando… e se bicando… toda vez. — ele gesticulou com a mão livre, divertido. — Nunca dava pra conversar com você sem te ver revirar os olhos primeiro.
O público riu.
Lila também, mesmo chorando.
— Mas sabe qual era a parte secreta? — ele perguntou, olhando diretamente para ela. — Eu adorava te ver irritada. Adorava te ver nervosa perto de mim. Adorava perceber que, mesmo tentando, você não conseguia ser indiferente.
Lila engoliu seco.
Ele se aproximou um pouco mais.
— Porque lá no fundo… eu sempre soube. Antes mesmo de você admitir. Antes mesmo de eu admitir. Antes de tudo ficar grande, confuso e inevitável.
A mão dele subiu e segurou o rosto dela, com devoção.
— Sempre soube que seria você.
O mundo inteiro prendeu o fôlego.
Taylor continuou e agora a voz tinha um tremor bonito, humano.
— Você me irrita — disse, arrancando outra onda de risos. — Me provoca. Me desmonta com uma frase e me reconstrói com um olhar. E eu… eu não mudaria nada disso.
O olhar dele suavizou.
— Porque amar você não é tranquilo. É intenso, real, inteiro.
A mão dele desceu, até encontrar o ventre arredondado sob o vestido. Quando tocou… a voz falhou. Ele piscou uma vez, como quem tenta segurar o que não cabe mais.
— Você me deu tudo que eu sempre sonhei. — disse, finalmente, com a voz grave, carregada de emoção. — Eu nunca me vi casando. Nasci para ser um homem livre, não queria me amarrar. Mas, daí você chegou e mudou tudo aqui dentro.

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