No altar, Taylor respirava como quem estava prestes a montar em um touro bravo de 600 quilos.
— Você acha que ela vem mesmo? — perguntou, com a voz mais baixa, como se o microfone invisível da vergonha pudesse gravar.
Tomás olhou pra ele com um sorriso maldoso.
— Lila? Hm… não sei, cowboy. Ela me disse ontem que se a intérprete russa aparecesse na festa, ela fugia com as crianças pro México.
Taylor arregalou os olhos.
— VOCÊ TÁ BRINCANDO.
— Claro que tô. — Tomás respondeu, dando um tapinha no ombro dele. — Eu acho.
Maurício bufou, passando a mão no rosto.
— Para de provocar ele, cara. O coração desse homem não aguenta.
— E o seu aguenta? — Tomás perguntou, virando-se para ele. — Porque, sinceramente, se eu fosse você, ficava preparado. Catarina tem cara de que, se desistir, desiste linda.
— Ela não vai desistir. — Maurício retrucou, firme, embora a mão ainda tremesse. — Ela é teimosa demais pra isso.
O burburinho dos convidados diminuiu.
Uma música suave começou a tocar ao fundo, violino e piano se misturando ao som do vento passando pelas árvores.
Todos se voltaram para o início do corredor.
Taylor sentiu o estômago despencar.
Maurício sentiu o coração acelerar.
O mundo pareceu prender a respiração quando a porta dupla começou a se abrir.
As luzes penduradas vibraram levemente com o movimento, e um feixe de sol atravessou o espaço no exato instante em que as primeiras notas de Adele, com a música, Someone Like You preencheram o ar.
Violino, piano e uma voz feminina suave, quase um sussurro rasgado de emoção.
Um arrepio percorreu os convidados.
E então elas apareceram.
Primeiro, Catarina ao lado de James.
Ele caminhava com passos firmes, elegantes, e uma postura impecável. Mas os olhos denunciavam tudo: orgulho, nostalgia, amor quase insuportável de tão grande.
Catarina segurava seu braço, o buquê branco preso entre os dedos, a respiração curta como quem tentava não chorar antes do tempo.
James inclinou a cabeça para ela.
— Respira, minha garota. — murmurou.
Ela tentou mas falhou rindo baixinho.
— Não acredito que estou chorando antes de entrar.
— Você sempre chorou antes de saltos importantes. — ele respondeu, com um sorriso emocional e contido. — E sempre permaneceu de pé.
Ela virou o rosto para ele.
Viu ali o pai.
O primeiro homem que a amou.
O primeiro porto.
A primeira referência de força.
E naquele instante, sem palavras, ela agradeceu tudo. Cada chão firme. Cada bronca. Cada abraço. Cada amor incondicional.
Eles caminharam e quando Catarina surgiu por completo no corredor, um murmúrio silencioso tomou o ambiente.
Ela estava deslumbrante.
E Maurício parecia ter sido atingido no peito. Os olhos dele se arregalaram, a boca se abriu num sorriso emocionado. E o queixo tremia o suficiente para Suze murmurar baixo atrás:
— Alguém traz lenço pro noivo antes que ele vire um poema humano.
Catarina não desviou o olhar um único segundo.
Era como se o resto do mundo tivesse sido apagado e restasse apenas ele.
E, passo após passo, ela se aproximou de seu futuro.
Quando a música alcançou o verso mais conhecido, a porta se abriu novamente e os convidados se viraram novamente.

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