As duas riram juntas, aquela risada de melhores amigas, cunhadas, companheiras de guerra.
Lila respirava fundo pela quarta vez em um minuto, como se tentar controlar o próprio coração fosse mais fácil do que aceitar que o mundo estava prestes a mudar de novo.
Catarina continuava observando o próprio reflexo, mas agora com aquele olhar que mulheres têm quando finalmente entendem que estão exatamente onde deveriam estar. Nada faltava. Nada sobrava. Era o hoje. O agora. O amor ao vivo.
E foi nesse silêncio carregado de nervosismo bonito que a porta abriu devagar.
— Podemos entrar? — perguntou uma voz suave, conhecida, amada.
Sophia foi a primeira a aparecer, os cabelos loiros presos em coque elegante, usava um vestido azul petróleo, e os olhos já brilhavam antes mesmo de pisar completamente para dentro.
Atrás dela, Isabella surgiu. Usava um vestido vinho que parecia feito sob medida para sua postura impecável, cabelos soltos com ondas suaves, como alguém que não precisava de esforço para impor presença.
Quando elas entraram, o quarto mudou.
Foi como se tudo se reorganizasse ao redor delas, como se o tempo as reconhecesse: as mães, as raízes, o começo antes do começo.
Sophia parou primeiro.
Ela viu Catarina e por um segundo… esqueceu como se respira. A mão foi automaticamente à boca, o reflexo universal de quem é pega desprevenida pelo amor.
— Meu Deus… — murmurou, a voz embargada. — Catarina… você está…
Ela tentou falar mais, mas a frase não saiu.
Catarina sorriu, pequeno, quase tímido. E esse detalhe sozinho já era prova viva do milagre que era aquele dia: Catarina nunca foi tímida.
Sophia se aproximou devagar, como se cada passo fosse uma recordação: o primeiro joelho ralado, o primeiro choro, o primeiro “eu não preciso de ninguém”, o primeiro “eu não quero me apaixonar”, o primeiro olhar que denunciou que tudo aquilo era mentira.
Quando chegou perto o suficiente, ela tocou o rosto da filha com cuidado, com orgulho, com aquele carinho que só existe entre quem viu todas as versões e amou cada uma delas.
— Eu sempre soube. — disse finalmente, baixinho. — Que você não era feita para viver pela metade. Que o amor que você daria um dia… seria grande. Exigente. Cheio. Bonito.
Os olhos de Catarina encheram e Sophia continuou:
— E você encontrou alguém que te ama na mesma intensidade. Alguém que te acompanha e te ama com todo o coração.
Catarina mordeu o lábio.
Falou como quem segura o choro com as duas mãos:
— Mãe… eu estou tão feliz.
— Eu sei. — Sophia sussurrou, puxando-a para um abraço apertado. — E é tudo o que eu sempre quis pra você.
Enquanto isso, Isabella permanecia parada diante de Lila.
Não se mexia. Não falava. Só olhava.
Como quem revisita lembranças ao encarar a mulher que sua filha se tornou. Lembrou da filha há meses. Aquela menina mimada, orgulhosa, teimosa que dizia que jamais iria se casar. Aquela maluquinha que era responsável pelos raros fios brancos na sua cabeça. Agora estava ali, diante dela. Linda, carregando seus netos no ventre, com o olhar que brilhava e transbordava felicidade.
Lila respirou fundo, tentando um sorriso, falhando lindamente.
— Não chora — pediu, já chorando.
Isabella deu um passo à frente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário