O sol parecia ter acordado mais cedo só para espiar a movimentação na fazenda.
O céu estava num azul perfeito, como se tivesse sido ajustado em Photoshop celestial. O vento soprava na medida exata para balançar as fitas de cetim presas ao longo da cerca de madeira, fazendo-as dançar como se soubessem que aquele não era um dia comum, era o dia em que duas noivas completamente apaixonadas e levemente instáveis emocionalmente, iam dizer “sim” para dois homens igualmente apaixonados e completamente desesperados.
A fazenda tinha sido transformada.
O espaço ao ar livre parecia outro mundo, como se a fazenda tivesse sido tocada por um feitiço suave. Onde antes havia apenas terra batida, vento e o cheiro familiar de eucalipto e capim, agora existia um cenário digno de filme.
O caminho começava sob um arco de madeira clara, decorado com flores do campo. Os arranjos continuavam ao longo do percurso, apoiados em barris antigos reutilizados como vasos, trazendo um contraste perfeito entre o rústico e o romântico.
Acima deles, fileiras de luzes de fada atravessavam o céu, presas entre galhos altos e estruturas invisíveis. Mesmo com o sol ainda brilhando, elas cintilavam, como pequenas estrelas teimosas que se recusaram a esperar pela noite. O som do vento entre as folhas misturava-se ao doce cheiro de flores recém-colhidas, transformando aquele pedaço da fazenda em algo mágico, íntimo, vivo, impossível de ignorar.
Era o tipo de cenário que fazia o coração desacelerar ou disparar.
Dependia apenas de quem estivesse caminhando por ali.
No corredor central, tapete de juta.
Simples, rústico, bonito.
Ao lado, bancos de madeira clara, com mantas brancas dobradas sobre o encosto para os convidados mais friorentos, ou emocionados demais. Em cada banco, pequenos buquês amarrados com fita: flores brancas, folhagens, um toque de lavanda. Tudo cheirava a campo, a sonho, a promessa.
E, no meio daquele cenário de filme… dois homens em pé, no altar, parecendo qualquer coisa menos calmos.
Taylor puxava a gravata pela milésima vez, como se ela estivesse tentando enforcá-lo lentamente.
Ele usava um terno azul petróleo impecavelmente ajustado, camisa branca, colete do mesmo tom, botas de couro engraxadas e, sobre tudo aquilo, o inevitável: o chapéu de cowboy, alinhado, ligeiramente inclinado. Ele estava lindo. Do tipo que faria qualquer pessoa repensar escolhas de vida. Mas, naquele momento, o olhar azul dele não tinha nada de sedutor. Só de puro pânico.
Ao lado, Maurício.
Terno cinza claro, camisa branca aberta no primeiro botão, porque ele tinha declarado guerra a gravatas, um lenço branco dobrado no bolso, botas de couro escuro e um relógio antigo preso no pulso. Diferente de Taylor, ele tentava parecer relaxado. Tentava. A perna batendo sem parar denunciava o oposto.
— Vai derrubar o assoalho se continuar chacoalhando essa perna — murmurou Taylor, sem tirar os olhos do corredor vazio.
— Vai desmaiar se continuar puxando a gravata, cowboy. — devolveu Maurício. — Tu parece um condenado esperando a sentença.
Do lado deles, encostado de maneira nada sacerdotal na madeira do altar, estava Tomás.
Camisa branca arregaçada até os antebraços, suspensórios, calça preta, um sorriso de quem nasceu para perturbar o psicológico alheio.
Ele olhou os dois, avaliando com maldade carinhosa.
— Vocês estão ótimos. — disse, com falsa seriedade. — Se fosse velório.
Taylor lançou um olhar atravessado.
— Você não devia estar do lado das noivas, sei lá… ajudando em alguma coisa?
Tomás sorriu.
— Já ajudei. Dei um conselho maravilhoso pra elas.
Maurício estreitou os olhos.
— Que conselho?
— Se algo der errado, corre. — respondeu ele, leve. — A porta dos fundos do celeiro tá aberta, e os cavalos tão selados.

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