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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 248

O fim da tarde caía manso sobre a fazenda, tingindo o mundo de tons quentes: dourado, cobre e laranja se misturavam no horizonte, como se o céu tivesse decidido repousar sobre a terra. O ar tinha o perfume doce do feno e o som constante das galinhas ciscando fazia fundo a uma paz que raramente existia dentro de Clara.

Ela estava ajoelhada no chão batido, o avental amassado e o cabelo escapando rebelde do lenço amarrado às pressas. Colhia os ovos com um cuidado quase maternal, ajeitando cada um no cesto de palha como se fossem joias frágeis.

— Você leva jeito com elas. — disse uma voz masculina atrás dela, grave e rouca, com aquele tipo de doçura que fazia o coração tropeçar.

Clara virou-se devagar. O sol, baixo no céu, formava um halo em torno da figura dele. Tomás, o irmão mais velho de Lila estava encostado no batente do galinheiro, com as botas cobertas de poeira, a camisa aberta no colarinho e o chapéu jogado sobre os cabelos castanhos claros que brilhavam sob a luz. O sorriso fácil no rosto dele tinha algo de perigoso, aquela mistura de encanto e travessura que só homens muito certos de si conseguiam sustentar.

— Ah… eu? — murmurou Clara, piscando devagar, tentando parecer mais calma do que se sentia. — Elas não me atacam se eu não mexer com elas. Acho que é um acordo justo.

Tomás riu, um som quente que fez as galinhas se agitarem e o coração dela também.

— Acordo justo mesmo. — respondeu, cruzando os braços e inclinando o ombro contra a madeira. — Mas não parece só acordo não. Elas te seguem com os olhos. Devem saber que você tem um jeito bom.

Clara abaixou o olhar, fingindo se ocupar com o cesto.

— É só costume, eu acho. A gente se entende. — Pausou, sorrindo de leve. — Eles não cobram nada, só atenção.

Tomás arqueou uma sobrancelha.

— Então a gente já tem algo em comum.

Ela levantou o rosto, surpresa.

— Como assim?

— Eu também gosto de quem não cobra nada. — Ele sorriu, um sorriso de canto, meio maroto. — Só companhia.

Clara riu, balançando a cabeça.

— Você fala como se fosse simples assim.

— E não é? — Ele se aproximou um passo, tirando o chapéu e segurando-o entre as mãos. — Às vezes as pessoas complicam demais o que podia ser leve. Tipo conversar no galinheiro no fim da tarde.

Clara ergueu os olhos para ele.

— Conversar no galinheiro? Essa é nova.

— Pode virar tradição. — Tomás piscou. — Mas só se você prometer não fugir da próxima vez.

Ela mordeu o lábio, rindo.

— Eu não fugi.

— Ah, não? — Ele se aproximou mais um passo. — Então foi o quê?

— Estratégia de sobrevivência. — respondeu, tentando parecer séria. — Homens sorridentes são perigosos. E você é o irmão de minha futura patroa.

Ele deu uma gargalhada leve, passando a mão pelos cabelos.

— E mulheres com olhos curiosos também. E outra coisa, minha irmã parece ser uma pessoa dificil, mas vai gostar dela, prometo.

Os dois riram juntos.

O som ecoou entre o galinheiro e o campo, misturando-se ao farfalhar do vento e ao crepitar distante do fogo na cozinha da fazenda.

Mariana, que estava num canto recolhendo cascas de milho, levantou o olhar e observou os dois, divertindo-se em silêncio. Conhecia aquele tom na voz de Clara, o tom de quem queria parecer indiferente, mas já estava perdida no encanto.

— E você, Mariana? — perguntou Tomás, mudando de alvo com naturalidade, embora o olhar ainda voltasse a Clara de tempos em tempos. — Maria disse que você conhece uma trilha mais rápida para cavalgar até o riacho, é verdade?

Mariana piscou, surpresa.

— Eu? Ah, sim… é verdade.

— Pois depois quero saber. Nadar lá deve ser fantástico, principalmente quando estamos acompanhados. — Ele ajeitou o chapéu na cabeça, o sol dourando a linha do maxilar. — O pôr do sol tá bonito hoje. O que acha de cavalgarmos, Clara?

Mariana ficou corada de imediato.

— E-eu… bem… — gaguejou, olhando de relance para Mariana, que tentava esconder o riso atrás do cesto. — Acho que posso ir, sim.

— Então é um encontro. — Tomás sorriu. — Nos vemos no estábulo, perto do entardecer.

Mariana ergueu uma sobrancelha divertida.

— Você é bom nisso, hein?

— Nisso o quê? — perguntou ele, fingindo inocência.

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