Que alívio! Fui salva, não morri!
Fernando Gomes rapidamente encontrou o controle do ar-condicionado, ajustou a temperatura para um nível confortável e pegou uma toalha limpa para enxugar o suor da minha pele exposta.
Ao perceber que minha respiração começava a se normalizar, ele me pegou no colo e me levou direto ao banheiro. Colocou-me cuidadosamente na banheira, apoiando meus braços machucados nas bordas, regulou a temperatura da água e abriu a torneira.
— Tome um banho, talvez ajude você a se sentir melhor. Daqui a pouco vou levá-la ao hospital. Não precisa ter medo, está tudo bem agora.
Eu sabia que não tinha morrido. Eu estava viva.
Fernando Gomes me salvou.
A água morna foi tomando conta do meu corpo, e a dor no ferimento do meu pé subia direto ao meu cérebro, mas, de certa forma, era confortante.
Afinal, só quem está vivo sente dor.
Fernando Gomes saiu apressado e, ao voltar, trouxe dois copos de água morna nas mãos, ajudando-me a beber devagar.
Aos poucos, meu corpo recuperou um pouco de força e consegui falar.
— Obrigada, chefe. — Foram apenas essas palavras, mas minha voz saiu embargada.
De repente, me lembrei de Víctor Laranjeira.
No início do inverno daquele ano em que começamos a namorar, o Lago do Encontro, na universidade, ficou coberto por uma camada de gelo.
Os colegas atravessavam o lago deslizando pelo gelo, todos sem problemas. Mas, quando tentei atravessar, o gelo cedeu.
No verão, o Lago do Encontro ficava cheio de flores de lótus, mas no fundo havia uma camada espessa de lodo. Fiquei presa ali, sem conseguir me soltar.
Alguém foi chamar o segurança do campus, outro ligou para a polícia.
Víctor Laranjeira surgiu como uma flecha, chegando antes dos seguranças e da polícia, sem nenhuma proteção, e avançou até o centro do lago para me resgatar.
Fui salva, mas ele ficou preso no lodo, junto comigo, e só foi retirado depois de mais de meia hora, quando o resgate finalmente chegou.
Naquela noite, ele teve febre de quase quarenta graus. Chorei, implorando para que fosse ao hospital. Disse que era tudo culpa minha, que se eu não tivesse tentado brincar de deslizar no gelo como os outros, nada daquilo teria acontecido.


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