No meio da escuridão, surgiu um lampejo fraco de luz.
Era o brilho da tela do celular, piscando com uma chamada.
Meu coração se encheu de excitação e nervosismo, tomado por um desejo ardente de viver.
Desesperada, tentei arrastar o rosto e o queixo pela tela do aparelho, rezando para que, de alguma forma, conseguisse deslizar até o botão de atender.
Esforcei-me por muito tempo, mas o toque terminou sem sucesso.
Eu já estava encharcada de suor, pelo corpo inteiro e no rosto.
A cada segundo, a força me abandonava; minha visão começava a se nublar novamente.
O telefone voltou a tocar.
Juntei o resto de energia e repeti o movimento de antes.
Como era de se esperar, falhei de novo.
Estava exausta, cada célula do meu corpo tomada por uma sensação indescritível de vazio.
Talvez, morrer nas mãos de Víctor Laranjeira fosse mesmo o meu destino.
A pessoa do outro lado ligou pela terceira vez!
Com as últimas forças, repeti o mesmo gesto.
Eu sabia, com clareza, que se não conseguisse dessa vez, não teria energia para tentar uma quarta.
Deus não abandona quem persiste.
Quando ouvi aquela voz grave e marcante do outro lado, desabei em lágrimas e soluços.
Fernando Gomes!
Era o grande chefe, Fernando Gomes!
— Diretora Francisca, Diretora Francisca! Fale comigo, consegue me ouvir?
Sim! Eu conseguia ouvir!
Mas eu não conseguia falar.
Tudo que pude fazer foi emitir sons abafados, o máximo que consegui.
— Diretora Francisca, o que houve? Está em perigo? Se sim, faça um som.


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