O abraço de Dagoberto Gomes era incrivelmente apertado.
Ele me pressionou contra seu peito com tanta força que me deixou sem ar.
Minha orelha estava colada em seu coração, e eu podia ouvir suas batidas fortes e vigorosas.
Nem em meus sonhos mais loucos eu poderia imaginar que meu colega de carteira, gentil e gordinho da minha memória, se transformaria, após mais de uma década, neste nobre e imponente CEO.
Os olhos que antes eram espremidos em duas fendas finas e os atuais olhos amendoados não tinham a menor semelhança.
— Chefe, cof, cof, você vai me sufocar. Me solta... sol...
Antes que eu pudesse terminar, ele soltou uma das mãos, segurou meu queixo e mordeu meus lábios com ferocidade.
Ele me beijou de forma selvagem, sugando e mordiscando, e sua respiração quente parecia me derreter.
Um líquido morno caiu em meu rosto.
Eu queria limpá-lo, mas meus braços estavam presos por ele, impossibilitando qualquer movimento.
Seu beijo era tão profundo que parecia arrancar minha alma.
Aquele abraço era, sem dúvida, estranho para mim, mas, de alguma forma, também parecia seguro.
Em meio ao choque, minha luta desesperada foi se acalmando.
Tudo o que eu podia ver era a pele pálida de Fernando Gomes, seu nariz altivo e seus cílios longos e curvados.
Ao redor, primeiro ouvi uma série de suspiros exagerados, seguidos por risos contidos.
Depois, tudo ficou em silêncio.
Eu só conseguia ouvir o som do vento do início da primavera da Cidade B.
O mundo pareceu silenciar de repente.
A brisa soprava suavemente, e algo dentro de mim criava raízes, brotava da terra e saudava uma nova vida.
Fernando Gomes era um demônio sedutor.
Até mesmo entre seus lábios e dentes, parecia haver o mesmo aroma frio de agulhas de pinheiro, que me mantinha minimamente consciente em meio ao êxtase, ainda capaz de lembrar quem eu era e onde estava.
Quando aquele beijo avassalador terminou, Fernando Gomes me segurou com força.

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