— Sim, Sr. Fernando.
O sinal do satélite falhava intermitentemente.
Ouvi Fernando Gomes dizer com a voz rouca: — Tragam-na de volta em segurança. Por favor.
O nobre e incomparável Fernando Gomes, por minha causa, estava implorando aos seus subordinados!
Ao ouvir essas palavras, minhas lágrimas começaram a escorrer incontrolavelmente.
À nossa frente, a tempestade parecia interminável.
Se conseguiríamos voltar vivos era uma grande incerteza.
Meus pais já haviam partido.
Neste mundo, eu não tinha mais laços que me prendessem.
Viver ou morrer, tudo dependia do destino.
— Fernando Gomes, por que... por que você é tão bom para mim? Diga-me, quem é você?
Fernando Gomes riu baixo.
Sua voz tornou-se suave, carregada de uma profunda nostalgia.
Ele disse: — Francisca Lobato, você realmente se esqueceu de mim. Volte em segurança, e eu correrei com você o revezamento misto de quatro por quatrocentos metros novamente.
Minha mente explodiu.
De repente, uma cena de muitos anos atrás surgiu diante dos meus olhos.
Naquela época, estávamos no ensino médio.
Nos jogos da escola, na corrida de revezamento misto de quatro por quatrocentos metros, um dos meninos adoeceu.
Meu colega de carteira, um garoto gordinho, assumiu a responsabilidade no último minuto.
Mesmo sabendo que poderíamos perder, ele se apresentou sem hesitar, dizendo que essa era a responsabilidade de um homem.
Ele me ensinou como resolver problemas de matemática de forma mais simples.
Ele me ensinou como transformar meu cérebro em um disco rígido de armazenamento.
Ele me trouxe muitos cafés da manhã e lanches deliciosos.
Nas noites escuras, ele me seguiu inúmeras vezes para me acompanhar até em casa.
— Dagoberto Gomes? Você é o Dagoberto Gomes? — perguntei com a voz embargada pelo choro.
— Sim. — Ele sorriu gentilmente, sua voz de adulto completamente diferente da do ensino médio. — Sua ingrata. Fui tão bom para você, e demorou tanto tempo para me reconhecer.
Era verdade.

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