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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 376

Nestes últimos dez anos, tentei de todas as formas encontrá-lo. Mesmo depois do casamento, pedi a ajuda de Víctor Laranjeira para procurá-lo.

Víctor Laranjeira sabia que quem me salvara anos atrás era um rapaz, e percebia o quanto eu estava empenhada em encontrar meu salvador. Por isso, ele não se mostrou muito disposto a ajudar. Só depois que recorri às lágrimas foi que ele ordenou que seus funcionários investigassem.

Mas aquela pessoa, ou qualquer notícia sobre ela, parecia nunca ter existido. Nenhum rastro foi encontrado. Procuramos por anos. No começo, diziam que ainda estavam investigando; depois, passaram a responder que a pessoa estava deliberadamente escondendo informações, sem querer ser encontrada.

Víctor Laranjeira me disse que talvez aquele homem só tivesse me ajudado por acaso, sem esperar nenhuma recompensa, e que, por conta de sua posição, não desejava se envolver comigo. Isso me deixou triste por um bom tempo.

Depois, passei a me controlar, evitando pensar nisso. Afinal, tudo tem seu motivo. Ele plantou a semente ao me salvar; reencontrá-lo e retribuir seria o fruto, só que o tempo ainda não havia chegado.

No fundo, eu sabia: enquanto ele estivesse vivo e bem, não importava onde, mesmo que eu nunca tivesse a chance de agradecê-lo, já me sentiria feliz. Porque nada é mais importante do que estar vivo e saudável — e esse era o verdadeiro objetivo dele ao me salvar.

Nos dois primeiros anos de casamento com Víctor Laranjeira, ele se incomodou muito com meu esforço para encontrar um homem desconhecido. Houve duas ocasiões em que ficou especialmente irritado, chegando a sair de casa e passar cinco dias dormindo na empresa, se recusando a voltar. O motivo era sempre o mesmo: ele sentia que, no meu coração, o lugar dele nunca seria maior que o daquele que havia me salvado. Dizia que eu guardava uma lembrança eterna, inalcançável.

Agora, olhando para trás, vejo que nesses dez anos fiz tudo que podia para encontrá-lo. Quanto a um reencontro no futuro, deixo nas mãos do destino.

Ao acordar cedo, sentia uma dor pulsante nas têmporas — consequência de sono insuficiente e sonhos agitados.

Já fazia muito tempo que não sonhava com aquele acidente.

Fora a busca por aquela pessoa, no restante do tempo eu tentava ao máximo não relembrar o passado.

Porque, cada vez que sonhava, era como reviver o medo, a dor e o arrependimento.

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