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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 370

O voo durou pouco mais de três horas. Fernando Gomes e eu conversamos um pouco no início, depois acabamos dormindo até o avião começar a descer.

Logo no começo da conversa, de repente me lembrei de uma questão e perguntei se, no primeiro dia do ano novo, a família Lobato, principalmente os mais velhos, não ficariam incomodados. “Afinal, as famílias Bai e Lobato são amigas há gerações, não são? Com eles vindo fazer uma visita de ano novo, e você, como novo chefe da família, não estando presente em casa... não seria ruim?”

Ele me olhou de lado por um instante, depois voltou o rosto para frente, com uma expressão completamente neutra, e disse com toda seriedade:

— Fazer o quê? Quando a namorada faz birra, eu preciso dar atenção. Se nem eu me importasse com os sentimentos dela, como ela poderia ser respeitada na minha casa?

— Sério? Ser sua namorada é tão bom assim? Você mima demais — meu papel falso era constrangedor demais, então só consegui elogiar com palavras secas.

— É claro. Cuidar da própria mulher é obrigação de qualquer homem decente. A mulher de Fernando Gomes deve ser a mais respeitada de todas.

Virei o rosto e olhei para fora da janela, sentindo uma pontinha de inveja.

— Quem casar com você deve ser a mulher mais feliz do mundo.

Nem Víctor Laranjeira, nos seus melhores momentos comigo, dissera algo assim.

Por isso, não é verdade que a vida seria igual com qualquer pessoa!

Fernando Gomes murmurou algo, mas não consegui entender. Também não perguntei de novo.

A época em que ele me contratou para ser namorada já tinha passado. Agora, éramos apenas companheiros de viagem e eu precisava lembrar qual era o meu lugar.

Enquanto eu colocava a máscara de dormir, tentando pegar no sono, ele falou um pouco sobre sua relação com a família Gomes — só um resumo, bem superficial.

Disse, por exemplo, que cresceu com os avós, que era o único filho dos pais juntos, mas que o sentimento entre eles nunca foi profundo. Entre ele e os pais, além do laço de sangue, havia apenas uma convivência cordial e distante.

Contou que, na família Gomes, a única pessoa de quem realmente gostava era o avô. Por isso, me avisou: qualquer incômodo que eu sofresse, por menor que fosse, eu não precisava aceitar calada — podia revidar, porque o avô nunca dificultaria as coisas para quem ele gostasse.

Falou ainda que a mãe já dissera mais de uma vez que ele tinha um temperamento frio, incapaz de amar, e jamais entenderia a felicidade e satisfação que ela sentia ao construir outra família fora dali.

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