Naquela época, eu estava tão entorpecida que nem percebi o que estava acontecendo.
Agora, quando penso nisso, sinto minhas bochechas esquentarem sem querer.
O celular que deixei sobre a cama no quarto tocou de repente, me puxando de volta para a realidade.
Assustada ao perceber que estava pensando num homem que nada tinha a ver comigo, sacudi a cabeça, tentando expulsar aquelas imagens da mente.
Depois do banho, vesti um pijama confortável e quentinho, peguei o celular e comecei a mexer nele enquanto secava as pontas molhadas do cabelo.
Era uma ligação da Marina Batista, que não atendi. Logo em seguida, ela mandou uma mensagem: “Francisca, queria tanto fazer uma canja gostosa para o Nando… Segui uma receita da internet e ficou horrível. Você pode me ensinar, por favor? Me conta o segredo pra fazer uma canja saborosa!”
No final, um daqueles emojis fofos que só ela sabia escolher.
De repente me lembrei que ainda tinha uma tigela de canja reservada pra mim na copa do escritório.
Culpa do Fernando Gomes — por que ele foi me deixar tão nervosa? Acabei esquecendo da canja.
Só de pensar nisso, a imagem dele se aproximando de mim voltou à minha mente. Era como se sua respiração estivesse bem perto do meu ouvido, e o aroma fresco de pinho invadisse todo o meu olfato. Bastava inspirar levemente e eu sentia aquele cheiro envolvente.
Minhas bochechas coraram de novo, sem que eu percebesse.
Quando não respondi, Marina Batista começou a alternar ligações e mensagens, bombardeando meu celular.
Atendi. Do outro lado, ela quase chorava, implorando por ajuda:
— Francisca, eu realmente não nasci pra cozinhar… Você pode me socorrer, por favor? Te peço de coração.
Eu queria recusar, mas a menina sabia insistir como ninguém. Além disso, eu também precisava comer. Então concordei:
— Só desta vez.
— Ai, obrigada, irmã! Eu vou te dar um presente!
— Não precisa. Só não me incomode de novo com isso, está bem?



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