Pensei seriamente por um instante e respondi, resignada:
— É complicado. Só não quero desperdiçar meu tempo discutindo sobre algo que nem existe.
Essas coisas sem provas, por mais que eu explique, não adiantam de nada. Prefiro aproveitar esse tempo escrevendo mais algumas linhas de código.
— Não existe? — Fernando Gomes não se deu por satisfeito, claramente decidido a me provocar. — Diretora Francisca, me diga: foi o seu beijo na minha camisa que não existiu? Ou foi quando você se jogou nos meus braços e passou a mão na minha cintura, hein? Ah, teve mais: ainda lembro de você ter tocado meu peito. Depois daquele dia, reparei que tinha até marcas das suas unhas, fiquei com dor por dias.
Que conversa é essa? Ok, toquei mesmo, mas foi um acidente! Ele que não ficasse parado no meio da cozinha feito uma estátua.
E mesmo que tivesse arranhado, era só um arranhão. Minhas unhas não são facas de açougueiro, não era pra doer tanto tempo assim.
Aquele "hein" dele ainda veio carregado de um charme malicioso, cheio de voltas, quase hipnotizante.
Esse homem é mesmo perigoso, sedutor ao extremo, capaz de levar alguém à loucura sem remorso algum.
Enquanto falava, ele foi se inclinando na minha direção, o corpo alto vindo cada vez mais perto, me pressionando.
O aroma fresco de pinho se intensificava, e meu coração disparava, batendo como um tambor.
Nem mesmo o Víctor Laranjeira, meu grande amor de seis anos, conseguiu me fazer sentir assim.
Essa postura... esse olhar... Será que ele vai me beijar?
Meu Deus, que susto!
— Chefe — tive que me inclinar pra trás, tentando me afastar ao máximo de Fernando Gomes. Levantei a mão e cobri a boca, tentando evitar outro acidente e não deixar mais nenhuma marca suspeita nele. — O senhor ainda não tomou sua canja, vai esfriar e fazer mal pro estômago.

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