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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 231

Eu não sou tão ingênua a ponto de não perceber isso.

Quando era jovem, José Godoy era uma pessoa admirável; à parte sua natureza reservada, quase não se podia encontrar defeitos nele.

Após dez anos sem vê-lo, tornou-se alguém sem escrúpulos, irreconhecível.

Ao voltar para casa, tomei um banho, bebi um copo de suco para espantar o efeito do álcool. Embora estivesse exausta, deitei na cama e, ainda assim, não conseguia dormir.

Minha mente insistia em rodar, cheia de pensamentos desconexos.

Se todas as minhas suposições estiverem corretas, então agora Víctor Laranjeira e José Godoy são irmãos de sangue — e, ao mesmo tempo, inimigos impiedosos.

Transformar irmãos em rivais, levando-os a se destruírem, certamente carrega as marcas de Cesar Laranjeira. Só não sei qual seria sua verdadeira motivação para isso.

Ele pode odiar Juliana Silva, isso eu consigo entender. Mas por que odeia igualmente Víctor Laranjeira?

Se não gostava dele, poderia ter escolhido não permitir que Víctor Laranjeira viesse ao mundo, naquela época.

Já que lhe deu a vida, por que nunca assumiu o papel de pai?

Se a separação tivesse sucesso, ele certamente levaria parte dos bens de Juliana Silva. Isso representaria um golpe indireto para Víctor Laranjeira.

A aproximação de José Godoy com Letícia, evidentemente, tem o intuito de usar a posição dela como vice-diretora financeira do Grupo Laranjeira para descobrir a real situação da empresa.

Se não estou enganada, ele pretende agir por dentro e por fora, para tomar o controle ou levar o Grupo Laranjeira à falência no menor tempo possível.

Que ódio profundo seria esse, para justificar tamanha destruição?

Será que Víctor Laranjeira sabe de tudo isso?

Não quero me envolver nos assuntos internos da família Laranjeira, mas o Grupo Laranjeira carrega parte do meu suor. Não quero ver tudo se perder diante dos meus olhos.

Avisar ou não Víctor Laranjeira tornou-se um dilema.

Revirei-me na cama por horas, até finalmente adormecer, caindo em sonhos estranhos e surreais a noite inteira.

Revivi aquele dia de vinte anos atrás, quando uma menininha de sete anos, com rabos de cavalo, segurava um pão numa mão e uma linguiça na outra, comendo com satisfação.

Um menino um pouco mais velho estava de pé a certa distância, olhando com desejo para a comida que ela tinha, engolindo em seco repetidas vezes.

Capítulo 231 1

Capítulo 231 2

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