Entre os colegas, alguns já não suportavam Mayla há bastante tempo. Agora que encontraram uma oportunidade de dificultar e zombar dela, obviamente não deixariam passar; um a um, todos se mostravam agressivos.
No meio daquele grande grupo, quem realmente defendia Francisca Lobato era, provavelmente, apenas Cecí; os demais tinham cada um seus próprios interesses.
Também era culpa de Mayla, que, depois de conseguir um namorado que julgava ser excepcional, passou a ignorar os antigos amigos e colegas, achando-se inacessível.
Mayla, acuada e com os olhos vermelhos de raiva, pegou o celular e ligou para o namorado. Tentou uma, duas, várias vezes, mas ninguém atendeu.
Finalmente, quando a ligação foi atendida, do outro lado vinha uma música alta e lasciva, além da voz melosa de uma mulher.
Ao saber que Mayla precisava de cinquenta e seis mil, o homem explodiu em xingamentos e, por fim, gritou “acabou”, encerrando a chamada bruscamente.
Sem acreditar, Mayla tentou ligar de novo. Mas o telefone só repetia uma mensagem fria de que o número estava temporariamente indisponível — estava claro que ele a havia bloqueado imediatamente.
Só então Mayla percebeu a gravidade da situação, mas ainda assim não admitiu o erro nem pediu desculpas. Tentou sair dali, mas um colega a puxou de volta para o lugar, forçando-a a sentar novamente.
— Ainda não terminou, não precisa ter pressa pra sair. Afinal, seu namorado da turma dos “melhores” já te largou. Não precisa correr pra agradar ninguém. Resolva logo o problema, transfira o dinheiro.
— Isso mesmo, Mayla, foi você quem quis dar o presente para Francisca Lobato, ninguém te obrigou. Pague logo, não faça todos te olharem com desprezo.
— Mayla deve estar doente. Em toda reunião arruma confusão. Deveria procurar um psiquiatra.
— Cada um com sua sorte, rico ou pobre, viva sua vida. Mayla é quem gosta de se expor, pedindo para ser humilhada.
— Olha como ela se acha, como se tivesse milhões, mas nem cinquenta e seis mil consegue. E ainda quer bancar a importante, que vergonha pra nós, mulheres.
Sem apoio, Mayla olhava para a tela do celular, vendo um a um os números em vermelho, e chorava, envergonhada e furiosa.
No fim, aquela confusão toda não deu em nada. Ninguém realmente quis que Mayla pagasse; foi só uma lição. Mesmo que ela tivesse o dinheiro, eu não aceitaria.
Cinquenta e seis mil não era nada. O rendimento diário do que tenho no banco supera esse valor.
Mas a lição era necessária, e fazer Mayla pedir desculpas em público foi, ao menos, uma atitude correta dela.


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