Outra pessoa era Serena Cruz.
Ela também havia postado uma foto: à beira-mar, o oceano vasto ao fundo, três gaivotas voando no céu, um homem e uma mulher de mãos dadas com uma menina, cada um segurando uma das mãos da garota. Estavam de costas para a câmera, e as mãos livres do homem e da mulher apontavam para o céu azul, tão nítido que parecia irreal.
Os brincos grandes e brilhantes da mulher, o relógio no pulso do homem, e o vestidinho amarelo claro da menina contavam, sem piedade, uma verdade para mim: Víctor Laranjeira não estava em viagem de trabalho no exterior. Na verdade, ele tinha levado Serena Cruz e Kelly para passear.
Eu já suspeitava, mas ter a suspeita confirmada fez meu peito se contrair de dor.
Cada mentira e traição dele zombavam da minha cegueira e da minha incapacidade.
O homem que, minutos atrás, dizia que me amava, agora posava para uma foto de família com a ex-namorada e a filha que têm juntos.
Será que ele me via como um brinquedo, apenas para se divertir?
Não é à toa que Víctor Laranjeira desligou o celular. Se eu, sem noção, ligasse para ele, certamente acabaria com a diversão deles!
O telefone tocou. Era Cecí, enfurecida:
— Como aquele casal sem vergonha tem coragem?
Cidade B é enorme, mas o círculo social é pequeno; qualquer acontecimento logo se espalha para todo mundo.
— Daqui a pouco isso não vai mais importar para mim. Eles que façam o que quiserem.
— Você, hein? Quando foi que ficou tão passiva, deixando eles te tratarem assim? Ou será que ainda faltam provas para o divórcio? Quer que eu indique um detetive particular experiente?
Cecí não entendia. Não era questão de ser passiva e aceitar a humilhação. Eu só achava que, se dava para resolver as coisas em paz, não valia a pena transformar tudo num escândalo.
Além disso, meus pais trabalham nesta cidade, e muita gente me conhece. Eu temia que esse problema ridículo trouxesse consequências negativas para eles.

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