Essa ideia também era difícil de tomar.
Aceitar a ajuda de José Godoy significava livrar-me de Víctor Laranjeira, mas acabar me envolvendo com José Godoy.
Depois de dez anos separados, ele já não era o mesmo José Godoy de antes, assim como eu também não era mais a Francisca Lobato ingênua da juventude.
O laço entre nós dois se encerrara muito antes, quando ele saiu silenciosamente, sem mencionar nada sobre aquele acontecimento.
No entanto, cercada por todos os lados, eu realmente precisava de um apoio sólido, nem que fosse apenas um advogado disposto a me defender em juízo.
Víctor Laranjeira era um adversário difícil. Em Cidade B, ninguém queria se opor a ele. Talvez só José Godoy tivesse coragem para enfrentá-lo de igual para igual.
Arrependo-me profundamente de ter seguido cegamente os conselhos de Víctor Laranjeira, confiando apenas nele e sem me preocupar em construir minha própria rede de contatos.
Após refletir cuidadosamente, decidi não aceitar a ajuda de José Godoy.
Não estava disposta a fugir de um poço de fogo apenas para cair em outra armadilha desconhecida.
Daniel Santos apareceu no meu escritório, trazendo no rosto um sorriso cordial.
Nem precisava perguntar para saber: certamente Lília Santos havia recebido uma intimação do judiciário e, por isso, ele veio me procurar. Ou para tentar um acordo, ou — mais provavelmente — para me ameaçar.
— Diretor Santos, que surpresa agradável. Por favor, sente-se. Flávia, prepare nosso melhor café, por gentileza.

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