O Assistente Matos baixou a cabeça, com a mão pressionando a omoplata. Sem saber o que fazer e hesitante, parecia estar prestes a ceder à ideia de se ajoelhar para o tal Senhor Almeida.
— Senhor Almeida.
No momento em que o Assistente Matos se preparava para dobrar os joelhos, Oceana Amaral deu um passo à frente, aproximou-se e segurou-o pelo braço.
Com o semblante sereno, ela encarou o homem embriagado.
— O senhor mesmo disse que o Assistente Matos é apenas um funcionário. Então, por que dificultar as coisas para ele? Se tem algum assunto para tratar com o Fabiano, o senhor deveria procurá-lo diretamente, em vez de ficar aqui fazendo cena.
Ao dizer isso, a voz de Oceana Amaral soou tranquila, desprovida de qualquer emoção exaltada.
Ao ouvir aquilo, o rosto do Senhor Almeida foi atravessado por um lampejo de constrangimento. Receoso pela identidade da pessoa à sua frente, ele soltou um riso amarelo e concordou:
— É, é, é, a Senhora Nunes tem razão. Eu fiquei nervoso assim porque o Senhor Nunes está ocupado e nunca arranja tempo para me ver! Se a Senhora Nunes puder ajudar e dar o recado ao Senhor Nunes, eu ficaria eternamente grato!
Oceana Amaral ignorou as palavras do Senhor Almeida e virou-se para o Assistente Matos, que continuava segurando o ombro atrás dela. Perguntou com tom estável:— Tudo bem? Machucou?
O Assistente Matos lançou um olhar de gratidão para Oceana Amaral, balançou a cabeça levemente e agradeceu:
— Obrigado, Senhora. Estou bem.
— Certo, que bom que está bem. Pode ir cuidar das suas coisas.
O Assistente Matos hesitou um pouco, olhou para o Senhor Almeida ao lado e disse, preocupado:— Mas e...
O Senhor Almeida ainda estava ali e não parecia ter intenção de ir embora.
Oceana Amaral ordenou com indiferença:— Já que o Senhor Nunes de vocês está ocupado, leve o Senhor Almeida para a sala de espera por enquanto.
Dito isso, olhou para o homem gordo à sua frente e perguntou:
— O Senhor Almeida não se importa, certo?
Oceana Amaral endireitou-se no sofá, negou com a cabeça e respondeu calmamente:— Não.
— Aquele homem é um incorporador imobiliário com quem trabalhamos antigamente. Por causa de jogos de azar, o fluxo de caixa dele quebrou e ele perdeu tudo. Agora, está na lista negra dos bancos e veio me procurar querendo que eu limpe a sujeira dele, assumindo um prédio inacabado que ele deixou para trás.
— Entendi.
Oceana Amaral pegou o café na mesa e deu um gole.
— Por que ele procurou você?
Fabiano Nunes sentou-se também no sofá, pegou a xícara de café da mão dela e bebeu o restante de um só gole.
— Ele me fez um grande favor no início da minha carreira. Depois, eu recomendei muitas pessoas e recursos para ele, mas ele sempre acha que eu lhe devo, acha que se não fosse pela ajuda dele naquela época, eu não seria quem sou hoje, então...
Fabiano Nunes não continuou a frase. Virou-se para Oceana Amaral, ergueu ligeiramente as sobrancelhas e deu de ombros, com indiferença.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!