Ao entrar no escritório de Fabiano Nunes, o Assistente Matos, sempre solícito, serviu-lhe o café.
Fabiano Nunes tinha uma reunião de emergência, por isso não se demorou no escritório e logo subiu para a sala de conferências.
A Assistente Rodrigues ainda estava fora resolvendo pendências e não voltaria tão cedo. Oceana Amaral acomodou-se no sofá do escritório de Fabiano Nunes e, casualmente, pegou uma revista semanal que estava sob a mesa de centro. Era pura fofoca de celebridades, em uma das edições, havia até fotos dela e de Fabiano Nunes saindo da delegacia.
Ouviu-se uma batida na porta. Eram as recepcionistas trazendo frutas lavadas.
Duas jovens entraram cautelosamente na sala, colocaram as frutas diante de Oceana Amaral, antes de se retirarem apressadamente, sem ousar permanecer nem mais um segundo.
Percebendo o medo que provocava nelas, Oceana Amaral não se importou. Levantou-se, abriu a porta e saiu do escritório em direção ao toalete.
Ao terminar e preparar-se para lavar as mãos, ouviu duas garotas conversando na área dos lavatórios.
— Nossa, eu acabei de entrar lá para levar frutas para a senhora. Quase morri de medo! Ainda bem que a Liana foi comigo!
— Tch, por que você tem medo dela?
— Qualquer pessoa que seja bonita na empresa pode chamar a atenção da senhora. Você chegou tarde, não sabe. Há dois anos, havia uma secretária chamada Capelo ao lado do Senhor Nunes. Como ela era bonita e competente, a senhora ficou com inveja. Sem motivo, no meio de uma reunião, ela simplesmente entrou e bateu na pobre Secretária Capelo! Nem dá para imaginar a cena!
— Ah? Ela é tão perigosa assim? Mas outro dia eu vi a reação dela e do nosso Senhor Nunes na delegacia, respondendo à imprensa, e parecia bem elegante e calma. Como pode ser como você descreve...
— Hmph, fingimento! Só estava atuando para a internet, não é nada demais!
— Tsc... pelo jeito que você fala, até estou com medo dela agora...
Oceana Amaral abriu a porta e saiu da cabine.
Ao terminar de passar o batom, ela pressionou levemente os lábios diante do espelho. Só então, através do reflexo, lançou um olhar indiferente para as duas que estavam de cabeça baixa atrás dela.
O olhar de Oceana Amaral era tranquilo. Não havia raiva, nem desprezo, nem sequer o descontentamento de ter sido incomodada. Aquele olhar pousou sobre as duas recepcionistas como se estivesse observando dois objetos decorativos insignificantes.
Em seguida, guardou o batom na bolsa com um movimento seco, virou-se e saiu do banheiro. Do início ao fim, não disse uma palavra sequer.
Assim que ela saiu, a garota de cabelo curto, que falava com mais entusiasmo antes, encostou-se na pia como se tivessem lhe tirado os ossos do corpo, ofegante e pálida.
— Ferrou, ferrou. Ela ouviu. Ela... com certeza ouviu tudo. Será que vou ser demitida?
A voz da garota embargou, num tom de choro, nem muito alto nem muito baixo, o suficiente para chegar aos ouvidos de Oceana Amaral, que ainda não tinha ido muito longe.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!