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Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou! romance Capítulo 62

Era uma sensação estranha.

Fabiano Nunes mal conseguia explicar. Ele baixou a cabeça, tossiu de forma não natural e respondeu:

— Vamos. Eu... eu vou tirar o carro.

Fabiano Nunes dirigiu por um longo trajeto. Não escolheu o maior supermercado das redondezas, mas sim um recém-inaugurado, bem distante, na periferia da cidade.

Oceana Amaral desconhecia a existência desse novo local. Pelo retrovisor, vendo os prédios da cidade ficarem cada vez mais distantes, sentiu primeiro dúvida, depois inquietação:

— Para onde você está me levando?

Estavam indo em direção à zona rural. Será que... Fabiano Nunes planejava assassiná-la em segredo?

Ferido pelo olhar desconfiado de Oceana Amaral, Fabiano Nunes forçou um sorriso difícil e disse:

— Abriu um novo hipermercado na saída da cidade, uma franquia internacional. É exclusivo para sócios, o espaço é enorme e tem pouca gente.

— Ah...

Ao saber que não seria vítima de um homicídio premeditado, Oceana Amaral endireitou-se no banco e olhou para frente.

Tinham acordado cedo e saído cedo. Pela janela, já era possível ver o sol subindo lentamente no horizonte, uma esfera alaranjada envolta em luz dourada, tingindo metade do céu com um calor acolhedor.

Já era o auge do inverno em dezembro.

Quanto mais se afastavam da cidade, mais límpidas ficavam as nuvens acima, brancas e fofas como algodão lavado, destacando-se contra o azul cada vez mais profundo do céu.

— Gostou?

Fabiano Nunes virou-se sorrindo para olhar a esposa ao seu lado.

Oceana Amaral curvou os lábios num sorriso.

— Gostei.

— Lembra muito o céu da Cidade Y. Azul límpido, nuvens brancas, vastidão.

Ao ouvir "Cidade Y", o olhar de Fabiano Nunes escureceu por um instante, mas ele logo forçou outro sorriso e concordou:

— É, parece mesmo. Você... quer voltar lá?

Embora fosse afastado, tinha uma variedade de produtos maior do que qualquer outro lugar.

Assim que chegaram, Oceana Amaral caminhou conscientemente para o lado de Fabiano Nunes e, antes que ele pudesse reagir, enganchou o braço no dele.

Olhando para o seu braço direito sendo segurado por Oceana Amaral, Fabiano Nunes ficou atônito e perguntou, sem entender:— O que foi?

— O que foi?

Oceana Amaral franziu a testa e devolveu a pergunta em voz baixa:— Não foi você que me pediu para vir ao supermercado para sermos fotografados pelos paparazzi e acabar com os boatos de crise no casamento?

Então era assim que ela via as coisas?

Não era de se espantar... Não era de se espantar que ela tivesse aceitado vir.

Fabiano Nunes manteve o sorriso forçado, mas sua mão esquerda, solta ao lado do corpo, tremia levemente. Ele sentia que algo estava mudando, que as coisas estavam fugindo de sua expectativa e controle, mas não havia nada que pudesse fazer a respeito.

— Vamos. Quanto mais rápido comprarmos, mais cedo voltamos.

Oceana Amaral não esperou resposta, puxou-o pela mão e entrou.

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