— Mas o Entretenimento de domingo já divulgou fotos do Senhor Nunes abraçado a outra jovem entrando no hospital ontem à noite. Qual é a sua reação ou opinião sobre isso?
Oceana Amaral respondeu:
— Não tenho nenhuma opinião. Eu confio no meu marido.
— Existem rumores de que o casamento de vocês não vai bem e que há dois anos já houve uma situação semelhante, onde dizem que a senhora foi pessoalmente flagrar a traição. Isso é verdade?
Oceana Amaral retrucou:— Já que dizem que são rumores, vocês acham que é verdade ou mentira?
Ao terminar a frase, ela soltou uma risada leve, sem confirmar nem negar, devolvendo a questão a quem perguntou.
Apesar de estar de máscara e óculos escuros, com o rosto totalmente coberto, os repórteres sentiram em cada gesto dela a elegância e a serenidade de quem está habituada a posições de poder.
Não havia nela o menor traço de constrangimento ou da raiva típica de quem foi traída. Se um desavisado passasse por ali, jamais diria que ela estava dando uma entrevista sobre o caso extraconjugal do marido.
Todas as respostas de Oceana Amaral foram extremamente polidas, não deixando margem para que os repórteres encontrassem qualquer falha.
Sem alternativa, os jornalistas voltaram seus microfones para o rosto de Fabiano Nunes.
— Então, Senhor Nunes, o senhor tem algo a dizer sobre as notícias que estouraram hoje cedo?
Fabiano Nunes respondeu friamente:
— Não tenho nada a dizer. Meus advogados entrarão em contato com o Entretenimento de domingo posteriormente.
Nesse momento, um cinegrafista que carregava uma câmera no fundo resmungou baixinho:— Caramba, que arrogância... Um traidor e ainda tem a cara de pau de falar que os advogados vão contatar a imprensa... Pff, não tem nem metade da classe da esposa.
A voz do cinegrafista não foi alta nem baixa, mas o suficiente para que todos ali ouvissem.
Fabiano Nunes sentou-se no banco do passageiro. A expressão gélida que exibira diante dos repórteres desaparecera, restando apenas um semblante de desorientação e culpa.
Dentro do carro reinava o silêncio; nenhum dos dois falava.
Ao chegarem em casa e fecharem a porta, Fabiano Nunes observou Oceana Amaral tirar a máscara e os óculos, trocar os sapatos, tudo com uma expressão inalterada. Finalmente, não aguentou mais: segurou o pulso dela quando ela estava prestes a entrar na sala e sussurrou:— Desculpe...
O erro fora dele, mas ela fora envolvida e ainda tivera que enfrentar o interrogatório de toda aquela gente.
No entanto, Oceana Amaral apenas virou a cabeça, olhou para ele com indiferença e disse:— Não foi nada. Vou para o meu quarto.
Disse apenas que não foi nada e entrou no quarto, sem sequer perguntar o que realmente havia acontecido nas notícias daquela manhã.
Comparado a essa Oceana Amaral calma e habitual, Fabiano Nunes preferiria que ela batesse nele, o xingasse ou o questionasse como fazia antigamente, qualquer coisa, menos essa frieza de agora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!