— Que horas são? Não faz nem duas horas que jantamos. Eu não sou um saco sem fundo, como poderia estar com fome tão rápido?
Oceana Amaral sentia-se exasperada. Sinceramente, preferiria que Fabiano Nunes brigasse e discutisse com ela como antigamente, em vez de fingir ser esse homem perfeito e bonzinho. Aquilo era realmente assustador.
Mas Fabiano não sabia o que se passava na mente dela. Seu único pensamento era que ela estava grávida e ele não podia irritá-la como antes. Precisava ser compreensivo e tolerante. Afinal, ele havia pesquisado na internet e sabia que oscilações de humor eram normais na gravidez. Como marido e pai da criança, era seu dever entender.
— Se não vai comer, vou tomar banho. Se sentir fome depois, me avise que eu preparo algo para você.
Dizendo isso, Fabiano tirou o celular do bolso do casaco, colocou-o na mesa de cabeceira do lado onde Oceana dormia, conectou-o ao carregador, pegou seu pijama na mala e saiu do quarto.
Na casa da família Amaral, os quartos geralmente não eram suítes, então para usar o banheiro ou tomar banho, era necessário ir até o fim do corredor no segundo andar.
Assim que Fabiano saiu, o quarto finalmente ficou em silêncio.
Oceana pensou por um momento e decidiu enviar uma mensagem para Marcel Amaral pelo WhatsApp.
[Marcel, a cama do seu quarto é muito pequena?]
[É sim, por quê, mana?] Oceana olhou para a resposta rápida e, após ponderar, tomou uma decisão:
[Vou para o seu quarto, você vem para o meu.]
[Hã?! E o meu cunhado?]
[Você dorme com ele, eu durmo sozinha.]
Após enviar a mensagem, Oceana levantou-se imediatamente, enrolou-se no casaco que estava aos pés da cama, pegou o celular e o carregador e foi direto para o quarto do irmão, o último à direita no segundo andar.
Infelizmente, Marcel não notou o desconforto da irmã e disse com orgulho:— Mana, eu sou igualzinho a você! A vovó sempre dizia que nós dois adorávamos comer na cama. Não sei onde aprendemos esse mau hábito!
Realmente eram irmãos, até os maus hábitos eram idênticos.
No entanto, com o passar dos anos e talvez por convivência com Fabiano, Oceana desenvolvera um leve transtorno obsessivo: detestava comer na cama, e ver farelos de comida nos lençóis era uma tortura insuportável.
Oceana interrompeu o movimento de subir na cama e olhou ao redor.
O quarto de Marcel não estava exatamente bagunçado; havia camisas de time e tênis pendurados, pôsteres de astros da NBA na parede, mas a mesa, a cadeira e o pequeno sofá estavam abarrotados de pacotes de lanches abertos e fechados.
Preocupada, Oceana perguntou:— Será que não tem ratos neste quarto?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!