Fabiano Nunes sorriu.
Observando Oceana Amaral, que fazia birra na cama com a imaturidade de uma criança, ele entrou no quarto e fechou a porta suavemente.
Oceana manteve a cabeça enterrada; ela simplesmente não queria ver Fabiano e, somado ao frio intenso, preferiu se esconder nas cobertas.
— Não esconda a cabeça assim, faz mal para a respiração.
O homem já havia caminhado até a beira da cama. Inclinou-se levemente, com um sorriso gentil nos lábios, e colocou a mão sobre o edredom, empurrando de leve a mulher que parecia um bicho-da-seda enrolado em seu casulo.
— Oceana...
Nenhuma resposta debaixo das cobertas, nenhum movimento.
Diante disso, Fabiano manteve a paciência, sorriu ternamente mais uma vez e tentou persuadi-la:— Se você está com frio, amanhã mesmo mando instalar aquecedores e ar-condicionado quente na casa toda, está bem? Não fique com a cabeça coberta, saia daí...
Enquanto falava, ele estendeu a mão para puxar levemente o edredom que cobria a cabeça dela. Ia dizer algo mais, mas no segundo seguinte, ouviu-se um estalo seco.
— Fabiano Nunes, você não cansa?!
Oceana Amaral arrancou o edredom que cobria sua cabeça, com a testa franzida e um olhar de pura impaciência para o homem ao lado da cama.
A força com que ela bateu na mão dele não foi pequena. Em questão de segundos, a marca vermelha dos cinco dedos apareceu no dorso da mão de Fabiano.
Ele notou, seu olhar pousou sobre a mão por apenas um segundo, mas logo seu rosto voltou a exibir aquele mesmo sorriso brando, calmo como se nada tivesse acontecido.
— Oceana, não fique brava. Eu só estava preocupado que cobrir a cabeça fizesse mal à sua respiração...
Ele explicou pacientemente, como alguém que nasceu com um temperamento dócil e educado.
Ver Fabiano Nunes reagir com tamanha indiferença, mesmo depois de ela ter gritado com impaciência e lhe dado um tapa forte, fez surgir um medo inexplicável no coração de Oceana.
Conhecendo-o há onze anos, ela sabia bem do seu temperamento explosivo. Essa mudança repentina de personalidade era, quanto mais ela pensava, assustadora.
— Fabiano, eu realmente acho que você enlouqueceu. Você devia ir ao hospital se tratar...
— Você ficou louco mesmo?!
— Não, quero dizer que ouvi o que você disse.
— Ouviu e ainda continua com essa...
Oceana calou-se, medindo-o de cima a baixo, sem saber como descrever aquela postura subserviente e excessivamente mansa diante dela.
Fabiano, porém, parecia não se importar:
— Não tem problema, pode dizer o que quiser. Eu só me importo se você está com fome, se quer...
— Não quero!
Mais uma vez, Oceana o interrompeu antes que ele pudesse concluir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!