Ninguém esperava que, assim que Oceana Amaral chegasse em casa, a verdadeira briga acontecesse entre Marlon Amaral e a Úrsula Almeida.
Marlon Amaral, que permanecera em silêncio por décadas, com aquele único grito conseguiu paralisar a fúria da esposa.
Úrsula Almeida ficou estática, olhando para aquele homem com quem estava casada há quase trinta anos, e as lágrimas jorraram de seus olhos de uma só vez.
Marcel Amaral também não ousava falar agora. Ele nunca tinha visto esse tipo de cena em casa; normalmente era a mãe que repreendia toda a família sozinha, e jamais imaginaria que o pai pudesse resistir algum dia.
— A Oceana já está casada com ele há tantos anos, de que adianta fazer escândalo agora? Xingar resolve? Será que é preciso expulsar o rapaz, fazer com que todos os vizinhos venham ver a nossa vergonha, para você ficar satisfeita?!
Com os olhos marejados, Marlon Amaral continuou gritando com a esposa.
Úrsula Almeida, atônita, sentia o coração doer como se fosse cortado por facas. Respirava com dificuldade, encarando o marido fixamente. Depois de um momento, virou-se e lançou um olhar fulminante para Fabiano Nunes.
— Pai...
Oceana Amaral aproximou-se, amparou o pai e deu tapinhas em suas costas, soluçando:— Não fique nervoso, por favor, não fale mais nada para a mãe.
Vendo a situação, Marcel Amaral também se adiantou. Correu para o lado da mãe, querendo consolá-la, mas hesitou. Encolhido, olhou para ela e sussurrou:
— Mãe, o pai tem razão. Se expulsarmos o cunhado... a Senhora Gabriela, a Dona Eunice e as outras vizinhas vão todas correr para cá para rir da nossa cara...
Úrsula Almeida limpou as lágrimas que caíam e permaneceu em silêncio.
O clima na sala tornou-se pesado e silencioso.
Não se sabe quanto tempo passou, mas Fabiano Nunes, que estava de pé diante dos sogros, fez algo que pegou a todos de surpresa: dobrou os joelhos e ajoelhou-se rigidamente no chão.
— O que passou foi imaturidade minha. Eu era jovem e impulsivo, não pensei em nada, não considerei o bem da Oceana. Simplesmente a levei da Cidade Y. Eu errei, a culpa é toda minha!
— Senhora, sei que ainda guarda raiva de mim, mas ainda assim gostaria de conversar seriamente com a senhora, se estiver disposta a me dar essa chance.
Dito isso, Fabiano Nunes novamente apoiou as mãos no chão e bateu repetidamente sua testa contra Úrsula Almeida.
No silêncio da sala principal, a cabeça batia com força repetidamente no sólido piso de cimento, emitindo um som abafado que causava arrepios.
Fabiano Nunes não parecia ter intenção de parar, como se, se a Úrsula Almeida não consentisse, ele continuaria até que ela concordasse.
No piso de cimento seco, já havia começado a se formar uma mancha úmida, não se sabia se era sangue ou outra coisa, Marlon Amaral realmente não conseguiu mais assistir e virou-se, Marcel Amaral também abriu a boca e, várias vezes, quase tentou estender a mão para impedir, mas não teve coragem.
Então, ele virou-se para olhar para sua irmã ao lado, e só então percebeu que ela olhava com calma para o cunhado que continuava a se prostrar, e em seus olhos não havia nenhum traço de dor ou afeto, apenas uma indiferença como se estivesse olhando para um estranho.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!