— O que foi?
Percebendo que algo estava errado com a garota à sua frente, Fabiano Nunes suavizou o tom e perguntou baixinho.
Fátima Miranda abaixou a cabeça e balançou levemente, seu cabelo comprido estava preso de forma desleixada na parte de trás da cabeça com um elástico, e as pontas originalmente amareladas, em algum momento, haviam se transformado em um preto lustroso e bonito.
Como estava com a cabeça baixa, Fabiano Nunes não conseguia ver sua expressão naquele momento, apenas podia, vagamente, sentir que ela parecia ter chorado...
— O que aconteceu, afinal?
Embora tivesse vontade de fechar a porta e voltar para o escritório, Fabiano Nunes não o fez. Em vez disso, inclinou-se levemente, aproximou-se dela e, com o indicador curvado, ergueu suavemente o queixo da garota.
Fátima Miranda já estava com os olhos vermelhos, as lágrimas girando freneticamente. Ela olhou para o homem com uma expressão desolada e, finalmente, não conseguiu conter: grandes gotas de lágrimas escorreram silenciosamente pelo canto dos olhos.
— Chorando?
O homem perguntou em voz rouca, não sabendo se era ilusão, Fátima Miranda sempre sentia que havia um leve sorriso na pergunta do homem.
— Não, não estou...
Embora estivesse claramente chorando, Fátima Miranda mordeu levemente o lábio inferior e negou com a cabeça.
Seus olhos e a ponta do nariz estavam vermelhos, e seus lábios cheios, levemente mordidos, brilhavam úmidos, parecendo uma flor prestes a desabrochar, extremamente tentadora.
A garganta de Fabiano Nunes oscilou. O olhar fixo na garota tornou-se cada vez mais profundo, como o mar imerso na noite, com correntes ocultas agitando-se nas profundezas.
Fátima Miranda tocou a ponta do nariz, tímida, e baixou os olhos, ainda sem coragem de encarar Fabiano Nunes diretamente. Apenas sussurrou:— Então, você pode jantar comigo, por favor?
A garota suplicou baixinho, e Fabiano Nunes, naturalmente, ficou sem motivos para recusar.
Os dois foram para a mesa de jantar. Fátima Miranda havia preparado picadinho de carne com aipo, uma omelete com tomate, salada de alface e uma sopa de legumes.
Devido ao atraso anterior, os pratos quentes já estavam mornos, apenas a sopa ainda soltava vapor.
Fabiano Nunes sentou-se. Apesar da falta de apetite, ele fez a gentileza de se servir de uma tigela de sopa. Não tocou nos talheres para comer a comida, apenas ficou sentado de forma relaxada à mesa, observando Fátima Miranda, que comia o arroz em pequenas garfadas do outro lado.
Dois dedos da mão esquerda da garota estavam envoltos em um curativo branco. Fabiano Nunes só notou ao observá-la atentamente, mas não perguntou nada, apenas desviou o olhar silenciosamente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!