— Motivo?
Francisco Barros achou ridículo Oceana Amaral fazer tal pergunta.
— Você não conhece bem o suficiente a sua própria condição física? Se mantiver a gravidez... se mantiver, ou você morre e ele vive, ou morrem os dois. São basicamente esses dois resultados, o que você acha?
O tom de Francisco Barros não teve nenhuma gentileza, foi frio e implacável. Mesmo assim, Oceana Amaral não conteve a pergunta:
— Não... não existe nenhuma outra possibilidade?
— Não.
Ao ouvir o veredito, a primeira reação de Oceana Amaral foi assentir calmamente. Em seguida, pegou a bolsa e começou a caminhar para fora.
— Ele sabe que você está grávida?
Antes que ela saísse do escritório, Francisco Barros perguntou repentinamente às suas costas.
Oceana Amaral parou, olhou para trás e respondeu com indiferença:— Ele não precisa saber. O filho é meu.
O motivo pelo qual ela queria ficar com a criança, afinal, não tinha nada a ver com Fabiano Nunes.
Mas Francisco Barros não sabia da verdade. Aos ouvidos dele, as palavras de Oceana Amaral soaram apenas como a teimosia de uma mulher frustrada no casamento.
— Não precisa? O filho é seu, mas não é dele também?
Francisco Barros levantou-se. De repente, recordou-se do homem abraçado à jovem no corredor na noite anterior. Francisco Barros sabia que aquilo não era da sua conta, que não precisava se intrometer, mas ao ver Oceana Amaral prestes a sair novamente, parecendo disposta a ignorar suas palavras, não se conteve e falou:— Oceana, ele tem outra mulher lá fora, você sabe disso?
A mulher que originalmente ia sair parou os passos.
O rosto de Francisco Barros queimou instantaneamente. Ele sabia, claro, que não era da sua conta, mas...
— Oceana, pense bem. Engravidar e ter um filho por um homem desses, vale mesmo a pena?
Francisco Barros também se irritou. Olhou para Oceana Amaral sem compreender. Antes de saber quem ela era, sempre pensara que fosse a amante sustentada por algum rico.
Francisco Barros reconhecia que tivera preconceitos contra Oceana Amaral no início. Devido às roupas extravagantes e à maquiagem sempre pesada, ele a via através de lentes distorcidas.
Embora sentisse certo desprezo, aos poucos desenvolvera uma curiosidade sobre ela.
O ambiente em que Francisco Barros cresceu raramente o colocava em contato com mulheres como Oceana Amaral: a esposa oficial de um empresário rico que se vestia de forma tão chamativa quanto a amante de um novo-rico.
Na época, ele pensou que não era de se admirar que Fabiano Nunes raramente a levasse a eventos sociais. Mas, após presenciar a cena da noite anterior, inexplicavelmente, Francisco Barros sentiu uma pontada de compaixão por aquela pobre mulher traída pelo marido e portadora de uma doença grave.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!