Oceana Amaral tomou o café da manhã e saiu de casa.
Ao chegar ao hospital, porém, não encontrou Francisco Barros. Rosana informou:— O Doutor Barros passou a noite toda em cirurgia, ainda não saiu do centro cirúrgico.
Sabendo que cirurgias podem durar muitas horas, mas considerando que ele estava lá desde a noite anterior até aquele momento, Oceana Amaral sentiu uma pontada de comoção.
Ela não teve pressa em prosseguir com a quimioterapia hoje. Em vez disso, procurou um lugar para sentar, pretendendo esperar Francisco Barros terminar para perguntar sobre sua condição física atual e contar a ele sobre a gravidez, buscando seu aconselhamento.
Oceana Amaral sentou-se no banco do corredor externo do consultório. Com o vaivém de pessoas e o ambiente barulhento ao redor, ela pousou a mão suavemente sobre o baixo-ventre e fitou os avisos hospitalares à sua frente, com os pensamentos vagando para longe.
Após virar a noite, Francisco Barros saiu da cirurgia com passos pesados, trocou o traje cirúrgico e retornou ao departamento de hematologia no 15º andar.
Antes mesmo de chegar à porta do escritório, avistou de longe a mulher sentada no banco do corredor, olhando para a parede branca, perdida em pensamentos.
— Com um frio desses, por que não se agasalhou melhor?
Francisco Barros estendeu o casaco, que trazia pendurado no braço, para Oceana Amaral, num gesto que pareceu casual.
A pessoa que estava com a mente longe teve seus devaneios interrompidos pelo casaco ofertado repentinamente. Ela ergueu a cabeça e só então percebeu que Francisco Barros havia retornado.
— Doutor Barros...
Oceana Amaral levantou-se e olhou para ele, mas não pegou o casaco.
Vendo que ela não aceitava, Francisco Barros recolheu a mão como se não se importasse, abriu a porta do escritório e entrou.
— Por que veio tão cedo hoje?
Normalmente, ela costumava chegar ao hospital por volta das duas da tarde. Francisco Barros ergueu o pulso para checar o relógio, eram exatamente onze e meia.
Ele operou a noite inteira até agora sem comer nada. Ligou a cafeteira elétrica, serviu um copo de água e sentou-se. Em seguida, abriu a gaveta e tirou um pão embalado.
— Vai querer?
— E então... — Ao ouvir a pergunta dele, Oceana Amaral franziu a testa, como se não entendesse. — Eu, eu queria saber sobre minha condição física atual, se eu quisesse manter o bebê...
— Não pode!
Antes que Oceana Amaral terminasse a frase, Francisco Barros a interrompeu com frieza. Olhou para ela com severidade e repetiu:— Não pode.
Embora ela não tivesse concluído, Francisco Barros já adivinhara o que ela pretendia dizer.
Ele achou que aquela mulher tinha enlouquecido. Ter o impulso de manter a criança, ignorando o próprio corpo, tudo para dar um filho àquele homem?
Oceana Amaral assentiu calmamente e perguntou:
— Por quê? Pode me dizer o motivo?
Ela sabia que a ideia de ter esse filho era insanamente ousada, digna de uma louca, mas... ao lembrar-se do aborto acidental de um ano atrás e do sonho que teve na noite anterior, Oceana Amaral não pôde evitar nutrir esse pensamento audacioso.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!