Ao lado de Arthur Franco, havia também um homem vestido de terno e gravata.
Tinha cabelos escuros levemente ondulados, pupilas claras e feições árabes.
Exceto pelas tatuagens nos pulsos, seria impossível dizer que ele trabalhava matando pessoas e vendendo produtos roubados.
O homem não se levantou. Mantendo-se recostado no sofá, ele estendeu despreocupadamente uma mão para Sérgio:
— Carlos.
Sérgio fez uma pausa e disse "hola" para Carlos usando o espanhol com o qual não era tão proficiente.
Carlos riu alto e falou para quem estava ao seu lado:
— Esse cara sabe o seu lugar.
Arthur Franco interveio:
— Diretor Santana, nos encontramos novamente.
Sérgio lançou um olhar para ele e perguntou:
— É este o bom negócio do qual você estava falando?
— Não seja impaciente.
Vinha-se a um cassino para jogar.
Arthur e Carlos o convidaram para a mesa de cartas.
— O barco ainda não está pronto, você joga primeiro.
Sérgio não era alguém apressado e jogou os dados que estavam em sua mão.
Durante o jogo, Carlos e Arthur Franco conversaram sobre informações de contas, mas usando codinomes e gírias.
Demorou um pouco até que ele conseguisse entender a relação entre aquelas contas.
Eram quase nove horas da noite.
Carlos bateu palmas e liderou a descida das escadas.
Sérgio percebeu que ele cumprimentou várias pessoas; havia estrangeiros, e também pessoas brasileiras.
Ele silenciosamente memorizou os rostos daquelas pessoas.
Depois que o iate saiu para o mar, seguiu até águas internacionais.
Arthur Franco sentou-se ao seu lado girando uma taça de vinho.
— Diretor Santana, é um pouco estranho. Ver você também a bordo me deu de repente a sensação de... um reencontro inesperado.
— Agora já não entendo mais se você quis me perturbar pelo que aconteceu com Júlia Guedes, ou se quis vir aqui para enriquecer desde o começo.
Sérgio segurava sua taça.
— Isso não importa.
— É, não importa.
Separado por um vidro.
Carlos pulou na piscina vestido com a própria camisa.

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