Desde que saíra da casa principal no Ano Novo, fazia muito tempo que Dora não via a bisavó.
Havia acumulado uma pilha enorme de pequenas peças de artesanato.
— Mamãe, olha, você acha que essa miçanga branca é mais bonita, ou a conchinha?
Júlia não podia deixar de admirar o currículo escolar dos tempos atuais.
Sendo apenas um jardim de infância, já estavam ensinando até técnicas tradicionais de marchetaria com madrepérola.
— Acho que aquele porta-joias. A bisavó com certeza vai gostar.
— E você, mamãe, como fica? Eu só tenho um, sabia? E o papai disse que presente dado não pode ser tomado de volta.
— Mamãe, eu te dou todos os outros.
Júlia pensou um pouco.
— Então a gente dá o porta-joias para a bisavó primeiro, a mamãe compra os materiais na internet e você faz outro?
Dora sacudiu as mãos em negativa repetidas vezes.
— Não posso, já recebi minha próxima encomenda. É do papai.
Júlia inclinou a cabeça.
Como é que ela não sabia disso?
— É um segredo entre mim e o papai.
— Até segredinhos vocês têm?
Dora escondeu as duas mãozinhas atrás das costas, apertando-as bem forte.
— Bom... hum, se a mamãe me fritar uns peixinhos fritos, eu conto escondido para você.
Júlia sentiu um puxão na bainha de sua roupa.
Era a filha pedindo para ela se abaixar depressa.
— Da última vez, eu dei uma caixinha de remédios para o papai, e ele disse que eu fui ótima.
— E ainda falou que, se eu fizesse uma caixinha quadrada para guardar anéis, ele ia construir para mim uma casa gigante, onde cabe mais de dez coelhinhos!
— A Dora não tá tirando vantagem, é só um negócio!
Ao ouvir aquilo, Júlia apertou os dedos.
Onde ficava seu dedo anelar, costumava haver a marca de um anel.
Mas agora, ela já tinha desaparecido por completo.
Mesmo assim, ao ouvir as palavras da menina, seu dedo instintivamente se enrijeceu.
— Eita menina... Tão novinha e já aprendendo a fazer negócios igual ao seu pai.
— Hehe.
Dora falou, sem graça:
— O papai disse que a gente tem que começar a ganhar dinheiro desde criancinha.
Júlia suspirou, conformada.
A família Santana realmente sabia criar pequenos gênios das finanças.
Durante aquele período, Júlia também acompanhava de perto os projetos da família Franco.
Descobriu que as colaborações mencionadas por Lucas Franco foram determinadas pelas instâncias superiores por meio de fundos privados.
Júlia até tentou competir em algumas licitações de projetos de nível S+ contra o Grupo Franco.
Contudo, o outro lado não parecia nem um pouco preocupado.
Chegaram ao ponto de deixar que empresas menores lutassem pelas migalhas.
Por um instante, Júlia ficou incerta sobre as reais intenções de Sérgio Santana.
Ainda assim, a dedicação que Sérgio demonstrava em relação à filha era irretocável.
Quando ela se movimentou nos negócios, Éder ficou sabendo na mesma hora.

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