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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 466

Sérgio sorriu ao fazer aquela pergunta.

O coração de Júlia se apertou em compaixão.

Ela pôde ver a excentricidade e o pavor no olhar de Sérgio.

A excentricidade daquela criança reprimida desde pequena, que nunca teve como extravasar suas emoções; o pavor de, quem sabe, acabar assustando as outras pessoas.

Sérgio estava como um bêbado que havia jogado tudo para o alto.

Depois de beber demais, abria as cicatrizes e o seu passado repetidas vezes, ansioso por escancarar tudo para Júlia.

Ele arrancava as crostas das suas feridas.

E ainda perguntava qual era a impressão do público.

Parecia dizer:

Eu sou uma aberração horrenda, já viu?

Será que sou igualzinho aos meus pais?

Dou nojo?

Você tem raiva de mim?

Júlia soltou um leve suspiro.

Segurou a mão trêmula de Sérgio e afastou o copo de água dele.

— Você não é horrível.

O rosto de Sérgio ficou tenso.

Ele já estava preparado para a rejeição.

Mas sentiu-se como uma criança que, recusando-se a tomar um remédio, tapava o nariz para engolir algo amargo e acabava descobrindo que era um caldo doce.

Ele não soube bem como reagir.

— O quê?

— Eu disse que você não é horrível.

Júlia comentou:

— Sérgio, quando nos divorciamos há três anos, eu realmente achei que você tinha algum problema.

— Tive raiva de você, te odiei.

— Honestamente, você não foi nada legal comigo.

Sérgio apertou os lábios; queria se explicar, mas não sabia por onde começar.

Júlia não parou de falar.

— Só que, com certeza, você não é uma má pessoa.

— Você não é igual aos seus pais. Você é ótimo para a Dora e, mesmo quando se trata do Bernardo Santana, não descontou as suas frustrações de adulto nele e até o colocou numa das melhores instituições.

Sérgio ouviu e, incrédulo, perguntou:

— É verdade?

Júlia respondeu:

— É sim.

Botar tudo aquilo para fora fez com que Sérgio se sentisse mais leve, como se tivesse se livrado dos escombros emocionais acumulados por anos.

— Vá dormir.

Júlia reduziu a luz do abajur novamente para o nível mais fraco.

Sérgio segurou o braço dela, afastou-se para dar espaço e deu leves tapinhas na cama.

— Já está quase amanhecendo e a criança tem sono muito leve. Se você voltar agora, pode acabar acordando a Dora.

Vendo que Júlia não se movia.

Ele se encostou um pouco mais para o lado, ocupando apenas uma beiradinha.

— Eu te prometo, é só fechar os olhos. Não vou fazer nada.

Júlia também estava exausta de tudo aquilo e simplesmente se deitou com a roupa que vestia.

A montanha-russa emocional, porém, a impediu de dormir rapidamente.

Fazia tanto tempo que Sérgio e Júlia não dividiam a mesma cama que ele se sentia um pouco tenso.

Fez um grande esforço para lembrar de como costumavam dormir antes de se divorciarem. Descobriu que, na maioria das vezes, simplesmente caía no sono imediatamente, e incrivelmente não fazia ideia do que Júlia estava pensando ou fazendo.

— Que tal eu te contar uma historinha para dormir?

Ele já havia lido tantos livrinhos para a filha que a sua memória infalível finalmente poderia ser útil.

Começou a contar a aventura de um gatinho e, depois, as aventuras de um cachorro detetive.

Júlia já havia lido todos aqueles contos.

Mas na hora de ler, muitas daquelas palavras tinham passado despercebidas. Agora, no papel de ouvinte, a história estava bem mais instigante.

Para completar, a voz grave e harmoniosa de Sérgio tornava a narrativa ainda mais sedutora.

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