— Ouça o médico. — Disse Júlia.
— Não vou.
Sérgio cruzou os braços sobre o peito e lançou um olhar gélido para o fofoqueiro do Dr. Mendes.
— Até cães e gatos fogem de casa antes de morrer, procurando um lugar perfeito para descansarem em paz.
— Dr. Mendes, se falar mais alguma coisa, seu salário será cortado.
O Dr. Mendes abriu os braços: — Se quiser reduzir meu salário anual de dois milhões para um milhão, tudo bem. Mas ordens médicas são ordens médicas.
Júlia finalmente percebeu.
Felizmente, o Dr. Mendes tinha uma certa relação com a família Santana. Havia um limite para as birras de Sérgio.
Se estivesse em outro hospital com outra família, sabe-se lá o que teria acontecido.
— Não fale besteiras.
Vendo a reação dela, Sérgio obedeceu e se calou.
No fim, tanto Sérgio quanto o Dr. Mendes cederam um pouco.
— Que tal o Diretor Santana se mudar para a mansão aqui perto? Fica a menos de dez minutos do hospital, se houver qualquer problema, pode vir para cá rapidamente.
Júlia perguntou, confusa: — Tem alguma mansão por aqui?
Sérgio cobriu os lábios e limpou a garganta: — É dos meus pais, foi o lugar onde cresci. Depois que eles morreram, a casa ficou vazia.
Ao terminar, ele lançou um olhar significativo para o Dr. Mendes.
— Ah!
O Dr. Mendes reagiu como se tivesse acabado de acordar de um sonho: — Pode ser, claro. Eu me esforço um pouco mais e passo na mansão todas as manhãs. No entanto, é melhor que ele tenha acompanhante. Por acaso a senhora tem estado livre ultimamente?
Sérgio assoprou levemente o rosto da filha, tentando chamar a atenção da menina.
— Mamãe, vamos com ele, por favorzinho.
Na verdade, nem precisavam convencê-la. Júlia planejava ir lá checar a situação de vez em quando de qualquer maneira.
Afinal de contas, primeiro o acidente de carro, depois uma briga que o fez vomitar sangue.
Ela não seria capaz de virar as costas para tudo.
A mansão ficava no sopé da Serra do Oeste, a uma distância intermediária do centro da cidade.
Era um lugar calmo no meio da agitação.
Quando o motorista entrou na mansão com o carro, a guarita estava vazia, mas a cancela funcionava perfeitamente como se fosse há décadas atrás.
Sérgio teve que fazer várias ligações antes de encontrar o segurança.
Em pouco tempo, o homem uniformizado veio trotando, mancando.
O guarda encostou-se na porta do carro e observou por um tempo.
— Não é o jovem mestre? É o jovem mestre, certo?
— Uau, é muito lindo.
As mãos de Sérgio passaram sobre o móvel do hall de entrada; o armário de nogueira sob medida, que ocupava toda a parede, tinha arranhões, embora o revestimento dourado nas bordas do espelho não estivesse desbotado.
Uma pena.
Que as cicatrizes naqueles móveis fossem conhecidas apenas por ele.
Sérgio disse: — Mandei arrumarem dois quartos de hóspedes no térreo primeiro. Amanhã chamarei alguém para trocar os móveis no segundo andar e preparar um novo quarto infantil para a Dora.
— Não é necessário.
Júlia explicou: — Basta ela ficar onde você morava quando era criança. Como é apenas uma estadia temporária, não precisamos comprar nada.
Ao ouvir isso, o sorriso nos olhos de Sérgio diminuiu um pouco.
Ele disse de maneira vaga: — Não há quarto de criança aqui.
— Dora, se você quiser algo especial, diga ao papai. Ou à secretária Diná, você lembra dela?
— Lembro.
Afinal, era a moça que levou o Bernardo Santana para comprar algodão doce no shopping.
Dora resmungou mentalmente, mas guardou o comentário para si.
Sérgio fez um cafuné nela de forma casual: — Certo.

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