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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 91

Quando Alícia acordou, havia alguém sentado à beira de sua cama.

Sujo de poeira e fuligem, a figura a assustou.

— Você... como voltou? — Ao abrir a boca, sentiu a garganta seca e áspera, engolir saliva parecia engolir lâminas.

Narciso franziu a testa ao ouvir aquela voz rouca e desagradável. Levantou-se, serviu um copo de água morna e caminhou até a cama, pronto para ajudá-la a beber.

A primeira reação de Alícia foi perceber que beber deitada seria incômodo, e provavelmente não havia canudos no quarto.

Antes que Narciso pudesse dizer algo, ela se adiantou:

— Eu vou abrir a boca e você despeja a água devagar. Não vire muito, senão eu engasgo.

A mão de Narciso, segurando o copo, parou no ar. Ele visualizou automaticamente a cena que ela descrevera e estalou a língua:

— Você tem algum problema, não tem?

Enquanto falava, sentou-se na beira da cama, ajudou-a a se erguer e a apoiou contra seu peito. Em seguida, encostou a borda do copo nos lábios secos e descamados dela.

— Você é alérgica a romance, por acaso?

— Nós duas somos irmãs... — Alícia começou a retrucar, mas pensou melhor e calou-se, continuando a beber.

Só depois de terminar a água é que ela disse:

— Com essa sua cara imunda, fica difícil sentir qualquer romance. Você não foi filmar? Por que mudou de profissão para minerador de carvão?

Narciso achou que a boca de Alícia era capaz de matar alguém de raiva, faltou pouco para chamá-la de ingrata.

— Acabei de sair de uma cena de explosão. Assim que soube que você estava em perigo, voltei correndo sem nem lavar o rosto, e você ainda reclama?

Alícia sabia, claro, que ele estava filmando. A provocação sobre a mineração foi apenas uma tentativa deliberada de aliviar a tensão.

No fundo, o sequestro fora fruto de sua negligência, e ver Narciso com aquela cara feia a deixava com a consciência pesada.

— Grande coisa — disse Alícia, com fingida indiferença.

Narciso abriu a porta e, como esperado, viu Yolanda sentada em sua cadeira de rodas.

Ele esboçou um sorriso irônico, fechou a porta atrás de si, colocou a cadeira no corredor e sentou-se de pernas abertas, bem de frente para ela.

Com as longas pernas cruzadas de forma displicente, a aura do Sr. Simões manifestou-se por completo.

— Sentei na cadeira para não dizerem que estou te intimidando de cima. Assim você não precisa levantar a cabeça para me olhar — disse Narciso, fingindo uma consideração excessiva.

Mas Yolanda crescera com ele. Sabia que, se Narciso fosse realmente atencioso, não existiria sarcasmo no mundo.

Narciso sempre fora parcial desde criança, e toda a sua parcialidade pendia para Alícia. Afinal, ele conhecera Alícia primeiro.

E ela, Yolanda, só se aproximara dele por causa de Alícia.

— A Alícia já acordou?

— O que te interessa? — Narciso cruzou os braços. Mesmo sentado, com seu mais de um metro e oitenta, ele parecia muito maior que ela. Olhou-a de cima a baixo com desdém. — Se isso fosse uma novela de época, você seria só a outra. Veio aqui prestar contas pra quem? Veio prestar reverência a quem?

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