Narciso riu com frieza e praguejou:
— E ainda tem a cara de pau de vir aqui!
Ele desligou o telefone e puxou Alícia do sofá.
— Vamos.
Pegou o cachecol dela e enrolou de qualquer jeito no pescoço dela.
— Para onde? — Alícia tentava ajeitar o cachecol, quase sufocada.
Ela não tinha ouvido a voz do segurança e seguiu Narciso confusamente para fora.
Narciso caminhou até a entrada, calçando as botas de montanhismo e, com aquele rosto que parecia ter maquiagem de efeitos especiais de ferimentos, disse:
— Desce comigo e você vai ver. Para que tantas perguntas? Acha que eu vou te vender?
Alícia não perguntou mais nada e desceu com ele.
Porém, assim que saíram do elevador, Alícia parou de repente.
— Cadê a sua máscara?
Quando chegou em casa, ela o vira com uma máscara preta puxada até o queixo, mas agora tinha sumido.
Narciso tinha muitos fãs, mas também muitos haters. Se alguém o fotografasse fora do set, tendo abandonado as filmagens, e postasse na internet, a opinião pública explodiria e o linchamento virtual seria inevitável.
— Está no bolso, pega para mim, minha mão está doendo. — Narciso continuou andando na frente.
Alícia apressou o passo, alcançou-o e tirou a máscara preta do bolso direito do casaco dele, segurando-o pelo braço.
— Fica quieto aí!
Nenhuma consciência de que era uma grande estrela!
No entanto, Narciso não fez menção de colocá-la sozinho. Alícia resmungou algo sobre ele ser um dondoco.
Em seguida, abriu a máscara e ficou na ponta dos pés para colocá-la nele.
Alícia, parecendo uma mãe galinha, ajeitou as bordas da máscara e, instintivamente, tentou arrumar a franja dele, mas seus dedos tocaram o cabelo curto e espetado, lembrando-se só então que ele tinha cortado.
Para evitar o constrangimento, ela afagou a cabeça de Narciso.
— Não olha, faz mal para a vista.
Alícia baixou a mão dele e disse com indiferença:
— Não é como se eu não tivesse visto coisas piores.
A cena de Kylen carregando Yolanda para o elevador de manhã tinha sido muito mais dolorosa.
Ao ouvir isso, a raiva de Narciso explodiu instantaneamente. Ele apontou para Kylen e gritou:
— Kylen, seu cafajeste, como ousa intimidá-la assim!
Yolanda franziu a testa.
— Narciso, foi você quem bateu no carro do Kylen primeiro. Você está errado e ainda quer inverter os papéis?
— Quem te deu permissão para falar? — O olhar de Narciso cortou Yolanda como uma lâmina, um nojo intenso transbordando de seus olhos.
Alícia agarrou a manga dele.
— Você bateu o carro nele?

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