O aquecimento dentro do carro estava forte. Alícia havia tirado o casaco no bar e, apesar de estar com roupas leves, não sentia frio, pois estava totalmente envolvida pelo sobretudo de Kylen.
Seu corpo estava quente, e o efeito retardado do álcool explodiu de vez.
Após fazer a pergunta, sua cabeça oscilou, até que uma mão grande, de dedos longos e definidos, apoiou sua nuca e a puxou de volta.
A cabeça de Alícia repousou suavemente no peito de Kylen. Seu rosto estava corado e seus cílios longos pareciam úmidos na penumbra, talvez por serem muito densos.
De sua boca, saíam duas palavras entrecortadas: Divórcio... divórcio...
— Bebeu quanto? — A voz do homem era grave, vibrando como a corda de um violoncelo.
Alícia, com os olhos semicerrados, resmungou algo.
— O quê?
Kylen segurou o queixo dela, erguendo seu rosto.
— Nem consegue desenrolar a língua e ainda ousa falar asneiras.
Para sua surpresa, Alícia deu um tapa na mão dele, afastando-a, e sua cabeça caiu como se estivesse pescando.
— Eu... te dei permissão para me tocar? Sabe quem eu sou?
— Eu sou Alícia, repórter sênior do departamento de jornalismo da TV Cidade Linvar!
— Meu parceiro... não, minha amiga é um astro de cinema! Sabe o que é um astro? O Sr. Simões! Lindo de morrer!
A expressão de Kylen fechou. Ele segurou o queixo dela novamente.
— Quem mais você é?
— Eu... — Alícia lutou para abrir as pálpebras, balançando a cabeça.
Encostada no peito de Kylen, ela disse devagar, com a voz baixa:
— Eu sou a esposa do Kylen.
— Mas... nós vamos nos divorciar...
A última frase desfez-se em um tom de choro.
O carro seguiu suavemente pela estrada por mais de dez minutos, afastando-se do barulho da cidade.
Alícia ficou quieta, apoiada em Kylen, sem falar nem fazer escândalo.
Ela o amou por tantos anos e, no fim, até para odiá-lo, a única opção que lhe restava era fugir de forma patética — sair do país para longe de onde ele estivesse.
Os cantos de seus olhos, já vermelhos pela embriaguez, avermelharam-se ainda mais. Quando abriu a boca, o hálito era puro álcool.
— Fala. Por que ainda não falou? A palavra divórcio é tão difícil de sair?
Ela levantou a mão e, com o dedo indicador, começou a cutucar o peito de Kylen a cada sílaba que pronunciava.
— Vem, eu te ensino. Dê-i... Di... Vór... ci-o. Divórcio!
Kylen baixou os olhos para aquele dedo indicador liso cutucando seu peito. Seu olhar escureceu e, na última cutucada, ele capturou a mão dela num instante.
— Vai continuar aprontando?
Alícia tentou puxar o dedo, mas não conseguiu se livrar do aperto dele. Irritou-se:
— Você tem coragem ou não tem?
— Eu não funciono, por isso quer se divorciar de mim? — A voz dele saiu extremamente rouca.
Quando se bebe demais, realmente se tem coragem de dizer qualquer coisa.

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