O ar no corredor pareceu congelar em um instante.
A presença de Alícia ali, junto de seu questionamento histérico, fez o coração de Kylen se apertar abruptamente.
Com o semblante sombrio e indecifrável, ele reprimiu a respiração um tanto trêmula e caminhou apressadamente até ela.
— Não é o que você está pensando.
Narciso também saiu logo atrás. Ele não esperava que Alícia aparecesse por ali, muito menos que ouvisse a conversa entre ele e Kylen.
— Você não dormiu bem e está imaginando coisas, vamos voltar para o quarto.
Ele apoiou a mão no braço da cadeira de rodas.
Sr. Batista, que estava atrás empurrando a cadeira, empalideceu. Ele olhou para baixo, com o coração partido ao ver Alícia à beira de um colapso.
— Senhorita.
Quando ele estava prestes a estender a mão para afastar os dedos de Alícia que puxavam as pontas do próprio cabelo, Kylen segurou a mão dela por outro ângulo, abrindo delicadamente os dedos rígidos e em espasmo devido ao abalo emocional.
— Eu já disse...
Alícia apertava os braços da cadeira de rodas com todas as forças, lágrimas escorrendo de seus olhos vazios. Parecendo não ouvir o que Kylen dizia, ela apenas repetia a mesma pergunta.
— Apenas me responda, é verdade?
Ela ergueu o olhar para Kylen, que estava a centímetros de distância. Seus olhos marejados transbordavam dor e desespero.
Antes da explosão daquele dia, ela já tinha uma leve suspeita da resposta, e foi por isso que avançou desesperadamente contra Yolanda em busca de vingança.
Mas, após a explosão, seu corpo parecia lutar para suprimir essa verdade. Nos últimos dias, ela viveu em um torpor, esquecendo-se de muitas coisas.
Ao ouvir a conversa entre Narciso e Kylen, aquela resposta pareceu romper suas correntes, cravando-se com força em sua mente e em seu coração.
Pensar no que seu bebê poderia ter sofrido a fez abrir a boca, lutando para emitir qualquer som.
— Você já mentiu tanto para mim, ainda quer continuar mentindo?
Ela puxou a mão e agarrou com força o tecido na altura do peito. Doía demais.

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