Mas não poder agir não significava que dariam a Nelso outra chance de atirar.
Justamente quando apontaram as armas para o grupo de Nelso, Kylen, de repente, com passos largos, caminhou diretamente na direção deles.
Ignorando completamente o fato de que Nelso acabara de atirar nele.
Ou, mais precisamente, todos os seus pensamentos estavam concentrados em Alícia.
O guarda-costas mais próximo de Kylen havia começado a trabalhar para ele mais ou menos na mesma época que Vinicius. Ele sabia muito bem o que Alícia significava para o Diretor Lourenço.
Ao presenciar a cena, sentiu um calafrio na espinha, mas não hesitou e imediatamente avançou com a arma em punho para acompanhá-lo.
Um lampejo sombrio atravessou o olhar de Nelso.
...
Na floresta, Yolanda tossiu mais um bocado de sangue.
Após a explosão tê-la arremessado contra o penhasco, seu corpo havia colidido violentamente com as pedras. Ela provavelmente sofria de hemorragia interna, mas não sabia a gravidade exata dos ferimentos.
— Posso te contar a senha, mas você precisa me dizer a verdade. Você deixou uma armadilha preparada? — Ela recuperou o fôlego e acenou para Gustavo, indicando que se aproximasse.
Gustavo encarou o rastro de sangue escuro no canto da boca dela, com um olhar desprovido de qualquer calor.
— Eu espalhei explosivos por toda esta montanha.
O olhar de Yolanda vacilou.
Como esperado de alguém como Gustavo, seu comportamento exterior jamais revelaria que ele era o chefe da fronteira. No entanto, tendo convivido com ele por quase dois anos, ela sabia muito bem como ele ocultava suas garras, fazendo-se de inofensivo para atacar no momento certo.
Ele queria explodir Kylen!
— Que seja. — Ela deu um sorriso repentino, erguendo o olhar para Gustavo, com uma loucura indisfarçável nos olhos. — Assim, poderei morrer junto com ele.



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