— Sr. Soares.
A chuva fina cortava a luz. A primeira coisa que Alícia viu foi o homem alto e de postura impecável caminhando à frente, fazendo seu rosto, já pálido, congelar de imediato.
Dois rostos quase indistinguíveis, duas vozes quase idênticas.
Gustavo o chamara de Saulo agora há pouco?
Vinicius, Saulo!
Antes que os pensamentos pudessem explodir em sua mente, no segundo seguinte, ela viu uma mulher sair de trás de Saulo, com altura e silhueta muito semelhantes às suas.
Yolanda abriu um sorriso delicado, mas seu olhar era gélido e sombrio. Elevando o tom no final da frase, ela disse:
— Alícia.
— Suas pernas... — O olhar de Alícia desceu, encarando atônita as pernas de Yolanda que agora a sustentavam de pé. Seus lábios tremeram levemente antes de se fecharem com força.
Um sorriso irônico despontou nos cantos da boca de Alícia.
— Tinha que ser você. Sua atuação continua impecável como sempre.
Quando Yolanda fingia ser sua grande amiga, ela acreditava que aquele era o ápice de seu talento para atuar. Jamais imaginou que ela seria capaz de fingir paraplegia dia após dia, durante anos, presa a uma cadeira de rodas.
Yolanda era a pessoa mais implacável consigo mesma que ela já conhecera.
Yolanda olhou para Alícia com os olhos transbordando ódio. Lembrar de como a outra conquistara o coração de Kylen com tanta facilidade, enquanto ela precisava se passar por inválida apenas para arrancar-lhe uma migalha de pena, a consumia.
E Alícia, que sempre teve tudo de mão beijada, ainda ousava zombar de sua atuação.
Patético.
No exato instante em que Yolanda ergueu a mão para esbofeteá-la, Alícia, ágil, levantou o braço que estava imobilizado por Gustavo. Com o movimento brusco, a mão dele foi forçada a servir de escudo diante de seu rosto.
Gustavo ergueu o olhar. Sob a tênue luz azulada, sua fachada elegante e cortês se desfez, revelando a verdadeira natureza brutal e implacável que habitava nela.
Parecia que, se a mão de Yolanda o tocasse, ela seria despedaçada no segundo seguinte.

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