Após desligar o telefone com Kylen, Enrique vestiu as calças, pegou um moletom com capuz e saiu do quarto.
Ao descer as escadas, sentiu as pernas mais trêmulas do que nunca; sua mente estava totalmente tomada pela revelação de Kylen sobre Alan ser o filho dele com Alícia.
O couro cabeludo de Enrique formigava. Seu sobrinho não havia morrido ainda no ventre de Alícia, tendo que ser retirado por um parto induzido?
Como ele poderia estar no hospital agora!
Sem ousar perder um segundo sequer, ele pegou as chaves de seu melhor carro esportivo. No entanto, assim que chegou à porta, ouviu o mordomo dizer:
— Jovem mestre, a senhorita ligou avisando que não voltará para casa esta noite.
— Minha irmã está cada vez mais rebelde. Mais tarde eu vou atrás dela. — A mão de Enrique parou sobre as chaves do carro, e ele soltou uma risada fria.
Aquele comentário fez o velho mordomo exibir um leve traço de constrangimento no rosto.
Enrique não deu importância e caminhou a passos largos em direção à garagem.
Ao chegar ao hospital, dirigiu-se diretamente à unidade de terapia intensiva para procurar o Dr. Lopes, a pedido de Kylen.
No início, o Dr. Lopes se fez de desentendido. Mesmo quando Enrique mencionou o nome de Alan, o médico ainda hesitou, até que finalmente recebeu uma mensagem de Kylen em seu celular.
O sinal na base daquela montanha era fraco, o que causou o atraso na entrega da mensagem.
Só então o Dr. Lopes acreditou que Kylen havia realmente confiado o menino a Enrique.
— Aconteceu alguma coisa com o Diretor Lourenço? — perguntou o Dr. Lopes com uma expressão grave, guiando Enrique em direção à sala de desinfecção.
A existência da criança sempre fora um segredo absoluto. O Diretor Lourenço nunca havia mencionado uma única palavra sobre ele a ninguém. Se algo grave não tivesse acontecido, ele jamais confiaria o menino a outra pessoa.
— Apenas cuide bem da criança e espere ele voltar.


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